Economia e Dinheiro

Oktoberfest adapta-se ao boom do Mounjaro e público que bebe menos

O medicamento Mounjaro ingressou no mercado brasileiro em maio de 2025 e acumulou R$ 13,54 bilhões em faturamento no primeiro ano, alcançando cerca de 3 milhões de cidadãos segundo dados da Eli Lilly. Juntamente com o Ozempic e o Wegovy, esses tratamentos conhecidos como canetas emagrecedoras transformam os hábitos alimentares e a relação da população com o álcool no período das tradicionais festas de Oktoberfest.

Impactos biológicos e o centro de recompensa

O endocrinologista Ramon Marcelino, vinculado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, aponta que substâncias como a semaglutida e a tirzepatida prolongam a sensação de saciedade e diminuem o interesse por comidas calóricas. A ação desses compostos nos receptores cerebrais reduz o apelo do álcool, afetando diretamente o desejo de consumo do público.

Conforme explica o especialista, “A vontade de comer um doce e a vontade de tomar uma cerveja passam pelo mesmo centro de recompensa do cérebro”, fazendo com que “O álcool continua tendo o mesmo gosto, mas o cérebro passa a dar menos valor a ele. A cerveja deixa de ser tão irresistível, e o segundo ou terceiro copo simplesmente perde a graça”.

Riscos e cuidados durante os eventos

A nutróloga Giovanna Spagnuolo Brunello destaca que a digestão mais lenta pode gerar uma falsa percepção de sobriedade, além de potencializar o desconforto gástrico associado a pratos gordurosos e bebidas alcoólicas. Para mitigar mal-estares, os médicos recomendam intercalar o chope com água, alimentar-se antes e respeitar os novos limites do organismo.

A endocrinologista Cristina Khawalli pontua que o teor calórico das bebidas pode atrapalhar o emagrecimento, enquanto pacientes diabéticos que utilizam antidiabéticos correm riscos de hipoglicemia se beberem sem se alimentar adequadamente.

Respostas das organizações pelo mundo

Em Blumenau, a administração do evento garantiu opções sem álcool e sem glúten, além de pontos com água filtrada, embora o tamanho padrão das porções tenha sido mantido para esta edição. A organização avalia que “Já existe uma procura maior por alternativas sem álcool, produtos sem glúten e opções que dialoguem com pessoas que buscam um consumo mais equilibrado, inclusive com produtos com menos calorias”.

Enquanto a São Paulo Oktoberfest relata estabilidade nas vendas e Munique registra uma leve retração no volume de cerveja comercializado, os organizadores reforçam que “O desafio é ampliar as possibilidades sem perder a identidade da festa”, mantendo as tradições vivas para todos os perfis de visitantes.

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