Minas Gerais

Cenário na ALMG segue indefinido com PL e PT aguardando Cleitinho

Quase uma semana após o pleito do último domingo (4), a estruturação da base governista e da oposição ao redor de Cleitinho Azevedo (Republicanos) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) continua sem definição para o mandato que começa em 2027. O governador eleito garantiu a vitória no 1º turno com 6.321.590 votos, o equivalente a 55,40% da preferência do eleitorado.

Estratégias de PL e PT no Legislativo

Enquanto o PL monitora a postura do chefe do Executivo eleito na campanha de 2º turno de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República para decidir sobre um possível desembarque na base, o PT prefere aguardar as diretrizes administrativas de Cleitinho antes de posicionar-se como oposição. Juntas, as legendas formam as duas maiores forças da Casa a partir do próximo ano, contando com 21 e 15 representantes, respectivamente.

O deputado Carlos Henrique (Republicanos), responsável pelas articulações com os parlamentares eleitos, avalia que a ausência de uma coligação partidária robusta durante a disputa eleitoral pode facilitar a costura de acordos. O senador concorreu pela coligação Minas é do Povo, formada por Republicanos e Podemos, que juntos conquistaram seis vagas no parlamento mineiro, composto por 77 cadeiras.

“Nós vamos insistir no amplo diálogo para buscar formar a maior base possível. Outros partidos têm uma certa identidade com o Cleitinho e querem ajudá-lo na construção de um projeto político para Minas Gerais. Nós temos que esperar também a posição da própria oposição. O Cleitinho tem muita capacidade de diálogo, ele quer dialogar com todos”, afirmou o parlamentar.

Condicionantes para alianças partidárias

Dono da maior bancada na nova legislatura, o PL busca garantias sobre a atuação de Cleitinho na corrida presidencial. Para Bruno Engler (PL), deputado estadual mais votado em Minas Gerais em 2026, a manifestação de voto em Flávio foi relevante, mas a legenda aguarda um envolvimento maior nas urnas.

Na última quinta-feira (8), o governador eleito indicou que terá participação ativa na disputa nacional e declarou que planeja percorrer todo o estado em busca de votos para o candidato do PL.

“Não é uma condicionante, mas acho que é um gesto importantíssimo que o Cleitinho pode fazer. […] Se ele entrar de cabeça na campanha, naturalmente vai ter nossa gratidão, nosso respeito, e quando formos falar do futuro do estado vamos estar mais próximos. Ele tem uma oportunidade ímpar de trazer o PL para perto, se for o cabo eleitoral que nós esperamos e precisamos”, disse Engler.

A postura da oposição e novos nomes na Casa

Do outro lado, a presidente estadual do PT, deputada Leninha, destacou que o foco atual da legenda é a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deixando as discussões sobre blocos legislativos para o pós-2º turno.

“O nosso posicionamento será construído a partir das decisões e dos caminhos adotados pelo próximo governo de Minas Gerais. Temos princípios muito claros. Se houver propostas de redução do papel do Estado, retirada de direitos, enfraquecimento das políticas públicas que atendem quem mais precisa ou retrocessos na área ambiental, estaremos do outro lado”, afirmou.

A visão é compartilhada pelo PSOL, que será representado na ALMG pela deputada estadual eleita Iza Lourença. “Nossa posição diante do Cleitinho vai depender muito de como ele irá governar o estado. Se ele se alinhar à extrema direita e der continuidade ao que foi o governo Zema/Simões, certamente seremos oposição. Caso ele cumpra o que prometeu, que é estar ao lado do povo mineiro, valorizar os professores e defender as estatais, estaremos à disposição ao diálogo”, declarou Iza.

As bancadas do PSD e do PP, que detêm a terceira e a quarta maiores representações na próxima legislatura, foram procuradas, mas não repassaram retorno até o fechamento desta reportagem. No total, o pleito garantiu a reeleição de 53 parlamentares, enquanto 24 estrearão na Casa a partir de 2027, registrando um índice de renovação de 31,6%, o menor em 24 anos.

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