Sapo-cururu resgatado após ataque de cão retorna à natureza em Minas Gerais
Batizado de Naveen, um sapo-cururu que foi atacado por um cachorro recuperou a liberdade após quase vinte dias de reabilitação no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). O anfíbio foi devolvido ao seu habitat no sábado (10), em uma região silvestre nas imediações da Represa de Capim Branco, situada no Triângulo Mineiro.
Atendimento médico e intoxicação
O caso teve início em 18 de setembro, quando uma moradora do bairro Nossa Senhora das Graças encontrou o animal ferido pelo cão de sua residência e decidiu levá-lo para receber socorro especializado. Durante a triagem inicial, os profissionais constataram sinais de envenenamento, inchaço generalizado e distúrbios sistêmicos. As análises clínicas revelaram taxas elevadas de amônia na corrente sanguínea do bicho, além de disfunções neurológicas que se manifestavam por meio de inclinação corporal e perda do equilíbrio postural.
Tratamento especializado e reabilitação da visão
Para garantir a recuperação do paciente, a equipe médica preparou um recinto com controle rigoroso de umidade, adequado às exigências biológicas da espécie. O plano terapêutico incluiu radiografias e cuidados intensivos para curar uma úlcera de córnea diagnosticada em seu olho esquerdo. Antes da liberação, os especialistas aplicaram um corante oftálmico para rastrear possíveis feridas remanescentes. Como o produto foi totalmente eliminado após a irrigação, atestou-se a cicatrização total da lesão ocular, liberando o animal para o retorno à vida silvestre.
Importância ecológica e cuidados com a espécie
Os anfíbios dessa espécie desempenham um papel fundamental na manutenção da biodiversidade e no controle biológico de pragas, alimentando-se de insetos e pequenos invertebrados. Contudo, especialistas reforçam que esses animais contam com glândulas cutâneas capazes de secretar toxinas irritantes quando sofrem compressão. Caso ocorra um encontro com um sapo-cururu em áreas urbanas, a recomendação técnica é afastar cães e gatos, evitar qualquer tipo de manipulação e buscar orientação profissional para o manejo seguro.
Em situações de contato direto e acidental com a substância tóxica liberada pela pele do bicho, a orientação é higienizar as mãos abundantemente com água e sabão, evitando o contato com as mucosas dos olhos e da boca.
