UBERLÂNDIA

Caso Tupac Shakur: mentor do crime é condenado após 30 anos

O tribunal de Las Vegas encerrou nesta terça-feira (13) um dos capítulos mais emblemáticos da história do hip-hop. Duane “Keffe D” Davis foi sentenciado a cumprir entre 40 anos e prisão perpétua pelo planejamento do assassinato de Tupac Shakur, ocorrido em setembro de 1996. A condenação ocorre quase três décadas após o crime, que vitimou o rapper a tiros.

O desfecho do julgamento em Nevada

Aos 63 anos, Davis já havia sido declarado culpado pelo homicídio com uso de arma letal em agosto deste ano. De acordo com as leis do estado de Nevada, o réu deverá cumprir um período mínimo de 40 anos atrás das grades antes de se tornar elegível para solicitar liberdade condicional. Caso o pedido não seja aceito pelas autoridades, ele permanecerá detido pelo resto de sua vida.

O processo judicial foi marcado pela complexidade e pela análise de diversas evidências. Ao longo de nove dias de audiências, um júri composto por 16 pessoas — incluindo quatro suplentes — ouviu o depoimento de 27 testemunhas, sendo 24 de acusação e três de defesa. A legislação local foi fundamental para a condenação, permitindo que um indivíduo seja considerado culpado por homicídio mesmo sem ter disparado a arma, desde que fique comprovada sua participação no planejamento ou na execução do ato criminoso.

Confissões que mudaram o curso das investigações

O caso, que ficou sem solução por muitos anos, só voltou a avançar após o próprio Davis admitir publicamente seu envolvimento em entrevistas concedidas em 2018. A revelação ganhou ainda mais detalhes em seu livro de memórias, Compton Street Legend, publicado em 2019. Na obra, ele detalhou que estava no banco do passageiro dianteiro do Cadillac utilizado na ação e que teria entregado a arma a um dos ocupantes do banco traseiro.

Apesar da confissão, a identidade de quem efetivamente apertou o gatilho contra o rapper permanece um mistério para o público, já que os outros três homens que estavam no veículo já faleceram.

Conexão com a morte de Notorious B.I.G.

O nome de Davis também surgiu em investigações sobre outro crime histórico: o assassinato de Christopher Wallace, o The Notorious B.I.G., ocorrido em Los Angeles, em março de 1997. Davis chegou a ser apontado como suspeito deste caso em suas memórias. Embora investigadores analisem há anos a hipótese de que a morte de Wallace tenha sido uma retaliação pelo ataque a Tupac, essa ligação nunca foi comprovada judicialmente.

Com a sentença de hoje, o sistema judiciário dos Estados Unidos busca dar um desfecho a um dos crimes mais comentados da indústria musical, encerrando um ciclo de impunidade que perdurou por quase 30 anos.

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