Triângulo Mineiro

Quem é a coordenadora do DER-MG presa por corrupção em Uberlândia

A coordenadora regional do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) em Uberlândia, Patrícia Metz Peixoto, presa preventivamente em uma quinta-feira (15), é engenheira civil formada pela Universidade de Uberaba (Uniube) em 1991 e acumula mais de 15 anos de atuação no serviço público. O mandado de prisão contra ela foi expedido a pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que a investiga por suspeita de falsidade ideológica, corrupção, advocacia administrativa e sonegação de documentos.

Carreira e tentativa de reality show

Ao longo de sua trajetória profissional, Patrícia atuou nas áreas de engenharia rodoviária, transporte e coordenação de projetos. Nas redes sociais, além de relatar sua experiência no setor público, ela costuma compartilhar conteúdos voltados para o desenvolvimento pessoal e de carreira, com foco em ajudar mulheres a se destacarem profissionalmente. Em 2021, a engenheira chegou a fazer campanha digital para tentar participar do “La Casa Digital”, um reality show idealizado pelo empresário Pablo Marçal com o objetivo de ensinar estratégias para ganhar dinheiro na internet. No entanto, não há confirmação de que ela tenha integrado o programa.

Meses antes de sua prisão, em 12 de fevereiro de 2026, Patrícia recebeu uma homenagem na Câmara Municipal de Uberlândia. A honraria foi proposta pelo vereador Antônio Carrijo (PSDB), que ressaltou a competência da servidora em infraestrutura, gestão pública e em sua participação no Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam).

“Hoje tive a honra imensa de homenagear uma grande mulher: Patrícia Metz Peixoto. Uma trajetória que inspira pelo trabalho, pela competência e pelo compromisso com o desenvolvimento da nossa região”, afirmou o vereador na publicação sobre a homenagem.

Investigação sobre o Anel Viário Sul

A prisão preventiva foi cumprida no condomínio onde a servidora mora, no bairro Laranjeiras. Ela já estava afastada de suas funções desde setembro, por determinação da Justiça, no âmbito de apurações sobre o projeto de acesso ao Anel Viário Sul. Após ser detida, foi encaminhada para a Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga, em Uberlândia.

De acordo com o MPMG, a engenheira teria recebido ao menos R$ 230 mil em repasses para beneficiar os interesses da construtora GSP Life Botânica, responsável por um empreendimento na região da avenida Serra da Bodoquena. O núcleo da investigação aponta irregularidades na modificação do projeto original de acesso à rodovia LMG-503, que previa um trevo completo, via marginal e faixas específicas, com custo estimado em cerca de R$ 7 milhões.

Acordo questionado pelo Ministério Público

Em outubro de 2023, a Prefeitura de Uberlândia e a construtora firmaram um acordo para substituir o trevo inicial por um acesso simplificado, reduzindo o custo da obra para pouco mais de R$ 2 milhões. O Ministério Público contestou a alteração por falta de estudos técnicos de equivalência e de um procedimento administrativo adequado.

Entre os elementos analisados está um ofício do DER-MG exibido durante a audiência do acordo, utilizado para argumentar que a alternativa já contava com aval institucional, embora a tramitação técnica ainda não estivesse encerrada. Em setembro de 2026, a Justiça suspendeu os efeitos do pacto e ordenou a preservação das garantias financeiras ligadas ao projeto.

Posicionamentos oficiais

Em nota oficial, o DER-MG se manifestou sobre o caso:

“O Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) informa que, diante da possível gravidade dos fatos, acionou a Controladoria-Geral do Estado para adoção das providências para apuração de eventual responsabilidade administrativa, sem prejuízo das apurações paralelamente conduzidas pelas demais autoridades. A servidora citada é efetiva e está afastada de suas funções.

A autarquia teve ciência da existência de processo judicial criminal no fim de setembro de 2026. O processo tramita sob segredo de justiça, e o DER-MG não teve acesso aos demais autos judiciais. Desde as primeiras solicitações relacionadas ao caso, o DER-MG tem cooperado ativamente com as autoridades competentes, prestando esclarecimentos, e permanece à disposição para contribuir com a apuração dos fatos.

O DER-MG reafirma seu compromisso com uma atuação séria, ética e responsável, em observância ao processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. A instituição não compactua com eventuais desvios de conduta ou práticas incompatíveis com os princípios da administração pública.”

Por sua vez, a defesa da servidora, representada pelo escritório Claudio Fontoura Advogados, declarou:

“Patrícia é servidora pública de carreira, primária, tem endereço certo e advogados constituídos nos autos desde julho, compareceu a todos os atos para os quais foi convocada e está afastada de suas funções no DER-MG, por decisão judicial, desde o fim de setembro.

A defesa não vislumbra o mais remoto elemento que justificaria a medida extrema da privação de liberdade.

A prisão antes do julgamento é, em nosso ordenamento, medida de exceção, reservada a hipóteses extremas e que não se justifica onde providências menos gravosas já se revelaram suficientes.

A defesa, pelos meios processuais cabíveis, elevou seus fundamentos e requerimentos às autoridades judiciais competentes, depositando sua confiança para que seja observado o mais elementar direito Constitucional de aguardar a tramitação do processo em liberdade.”

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