Cleitinho fala sobre transição em minas e o desafio de virar vidraça
Em entrevista exclusiva, o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos), abriu o jogo sobre a transição para o Executivo estadual, a mudança drástica em seu papel político e a forte ligação com Divinópolis, município onde iniciou sua trajetória pública há dez anos como vereador.
Da fiscalização ao executivo estadual
Conhecido por construir sua carreira política baseada na fiscalização e nas críticas incisivas ao poder público, Cleitinho agora assume a responsabilidade de gerir o estado e tomar as decisões que afetarão os 853 municípios mineiros a partir de 2027. O político reconhece que a dinâmica mudou completamente e resumiu o momento afirmando: “Eu era sempre pedra. O que vai acontecer comigo agora é que eu vou virar vidraça, mas não tem problema nenhum, eu tenho a responsabilidade de entender que esse é o cargo mais importante da minha vida”.
Para administrar o estado, ele planeja montar uma equipe técnica com especialistas em cada área, comparando a gestão pública ao funcionamento de uma empresa onde é preciso “colocar as pessoas certas no lugar certo”. O objetivo principal, segundo ele, é otimizar os recursos arrecadados por meio dos impostos pagos pelos cidadãos para devolvê-los em melhorias diretas para a população.
Origens e a relação com divinópolis
Antes de ingressar na vida pública, Cleitinho atuava como músico e trabalhava no varejão da família ao lado dos irmãos. Ele revelou que chegou aos 33 anos sem sequer possuir título de eleitor e que nutria forte rejeição pela atividade política. “Até dez anos atrás, para mim ser candidato a vereador eu tinha que ter tirado um título de eleitor. Só que eu tinha nojo de política, nojo”, declarou, reforçando que nunca imaginou seguir essa carreira e que vê sua trajetória como “tudo obra de Deus”.
Mesmo alcançando o comando do estado, o governador eleito garantiu que não vai abandonar suas raízes em Divinópolis, cidade que o elegeu vereador com 3.023 votos em 2016. Diante de críticas sobre a destinação de emendas parlamentares, ele defendeu a atenção dada à sua base eleitoral ao argumentar: “Eu mandei recursos para o estado inteiro. Só que é minha casa, não adianta eu querer cuidar da casa dos outros se eu não estou cuidando da minha casa”.
Articulação política e o futuro de minas gerais
A força política do grupo de Cleitinho na região se consolidou com a eleição de seus irmãos — Gleidson Azevedo como deputado federal e Eduardo Azevedo como deputado estadual —, além do senador eleito Domingos Sávio. Para o novo governador, essa representatividade deve ser usada em favor de todo o estado. “A gente tem que dialogar, a gente tem que fazer reunião, a gente tem que fazer um plano de trabalho, não só para Divinópolis, tem que fazer para toda Minas Gerais”, pontuou.
Com a posse marcada para 1º de janeiro de 2027, Cleitinho encerra uma campanha intensa e assume o desafio de conciliar a governança de Belo Horizonte com a preservação de sua identidade política construída no interior mineiro.
