Lista de boicote a comércios em Patos de Minas acende alerta da polícia
Uma relação de comércios e empresários locais que teriam apoiado a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais passou a circular na internet em Patos de Minas, motivando apurações das autoridades policiais sobre possíveis crimes decorrentes de assédio eleitoral.
Orientações da polícia e repúdio da OAB
Diante da repercussão, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) orientou, em nota divulgada nesta quarta-feira (28), que pessoas que se sintam vítimas de possíveis práticas criminosas registrem boletim de ocorrência, especialmente em casos de ameaças ou constrangimento. A corporação recomendou que as vítimas procurem uma unidade policial e apresente os elementos disponíveis, como mensagens, publicações e demais registros que possam contribuir para a apuração dos fatos.
A 45ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB/MG), em Patos de Minas, também emitiu, na terça-feira (27), uma nota de repúdio a iniciativas que promovem boicotes, intolerância ou retaliações contra comércios e profissionais motivadas por divergências políticas.
Riscos jurídicos e agravantes nas redes sociais
Em entrevista à TV Integração, o presidente da OAB em Patos de Minas, Rafael Vinícius, alertou que as penas podem ser aumentadas pelo fato de os supostos crimes serem praticados nas redes sociais. “Esse tipo de crime pode ser tipificado como injúria, calúnia ou difamação. Como está sendo praticado em redes sociais, essas penas que podem chegar até 2 anos a depender do crime, elas podem ser aplicadas em triplo”, afirmou.
Segundo o presidente da OAB, caso algum profissional seja ofendido ou prejudicado, a recomendação é levar o boletim de ocorrência ao Ministério Público Eleitoral ou, em casos de assédio eleitoral no ambiente de trabalho, ao Ministério Público do Trabalho para formalizar a denúncia.
Reações de comerciantes locais
Apesar do cenário de intolerância, alguns profissionais afetados reagiram com surpresa ou bom humor. A fotógrafa Selma Cruz foi surpreendida ao encontrar o próprio nome na lista de profissionais que seriam alvo de boicote e afirma não se preocupar com possíveis retaliações. “Eu acho que um tem que ganhar e o outro tem que perder, eu vejo isso [a lista] como uma grande ignorância”, declarou.
Por sua vez, a empresária Carla Geane usou o bom humor para se manifestar nas redes sociais e pediu que os nomes de suas empresas fossem incluídos em listas de boicote, independentemente do lado político, em uma publicação que ultrapassou 47 mil visualizações. “É só de quatro em quatro anos que a gente tem oportunidade de fazer esse marketing gratuito, então não deixem de me marcar, podem colocar mil vezes meu nome. Eu vou agradecer, porque lembro da última vez foi excelente, tanta gente que não conhecia minha loja e ficou conhecendo. Não importa que lado, me marca”, diz Carla no vídeo.
Embora o nome de uma das empresas de Carla conste na lista e ela afirme não ter se posicionado politicamente na internet, a empresária resumiu sua postura diante do episódio adverso. “Nada mais valioso nesse momento do que se beneficiar de um problema. O problema é: a gente está no foco. Mas a vantagem é: as pessoas sabem da nossa existência. Não são todas as pessoas que têm esse pensamento de ódio e isso me acalma. Então, é uma oportunidade que meu negócio seja visto, eu fiz do limão uma limonada”, concluiu.
