Triângulo Mineiro

Alunos de medicina em MG são investigados por ataques a bolsistas

Dois estudantes de 19 anos do curso de medicina do Instituto Master de Ensino Presidente Antônio Carlos (Imepac), localizado em Araguari, no Triângulo Mineiro, tornaram-se alvo de um processo administrativo disciplinar. A medida foi tomada pela direção da faculdade para apurar ofensas direcionadas a colegas de classe em um grupo de WhatsApp, ocorridas logo após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Hostilidade contra estudantes bolsistas

As mensagens, que circularam na noite de domingo (25), continham ataques diretos a alunos que utilizam o Programa Universidade para Todos (Prouni) ou o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). O conteúdo discriminatório também atingiu acadêmicos que comercializam itens, como trufas, para complementar a renda e arcar com os custos da graduação.

Em um dos áudios, um dos estudantes afirmou: “Agora quem votou no Lulinha, que está há 20 anos prometendo picanha, quem vier vender trufa […]. Falar que as minas gostosas que estão com o Lula. Vai todo mundo se f. Pega a p da sua bolsa de Prouni, de Fies e divide com a p* do MST”.

Outra estudante envolvida no episódio também proferiu ofensas no grupo: “Eu quero ver nego vender trufa para o meu lado. Vai enfiar tudo no c, seus petistas do c […]. Quero que vocês enfiem essas m que vocês vendem tudo no meio do c, seus petistas do c*”, disse.

Repercussão e medidas tomadas

Um boletim de ocorrência por difamação foi registrado pelas vítimas na última quarta-feira (28). Uma das alunas afetadas, que recebe bolsa e vende doces para se manter, relatou ter se sentido humilhada. “Foi discriminação socioeconômica pura. Antes das eleições, muito provavelmente eu já não era vista com bons olhos, porque se eu nem cheguei a me posicionar e eles foram tão cruéis, acredito que era um posicionamento que eles já tinham”, afirmou.

A estudante ainda destacou a importância das políticas públicas para sua formação: “A única coisa que me permite estudar o curso dos meus sonhos é essa política pública de acesso à universidade”. Sobre o impacto emocional, ela completou: “Eu me senti muito humilhada, não tinha como desvincular a minha imagem, era sobre mim que eles estavam falando. Mas também sobre vários outros estudantes bolsistas que se sentiram diminuídos e desrespeitados. Foi muito triste. Em momento nenhum eu desrespeitei ninguém, sempre fui muito discreta. Chorei bastante e busquei apoio da minha família e do meu namorado”.

Posicionamento do Imepac

Em nota oficial, o Centro Universitário declarou que repudia atos de intolerância. O comunicado diz: “O Centro Universitário IMEPAC repudia qualquer manifestação de intolerância ou discriminação, seja por convicções políticas ou por condição socioeconômica. A instituição reafirma seu compromisso com a liberdade de expressão, a pluralidade de ideias e o respeito as diferenças, princípios fundamentais para a convivência acadêmica e a formação ética e humanizada dos futuros profissionais”.

A faculdade reforçou que o processo disciplinar respeitará o contraditório e o direito de defesa, enquanto oferece suporte psicológico aos alunos atingidos pelas ofensas.

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