Trbl11 vota mudanças estruturais para reduzir impacto de Braskem e Correios
Os cotistas do fundo imobiliário Tellus Rio Bravo estão diante de decisões cruciais para o futuro da carteira. A gestão convocou uma assembleia geral extraordinária para votar medidas drásticas que visam diminuir a forte exposição a duas grandes crises recentes: a recuperação extrajudicial da Braskem e o litígio financeiro envolvendo os Correios.
Plano de desinvestimento e novos galpões
A pauta central da assembleia inclui a alienação de três ativos imobiliários, nomeadamente One Park, Contagem e Guarulhos II, pelo montante de R$ 526,7 milhões. Juntas, essas propriedades respondem por cerca de 84% da área bruta locável total da carteira. Caso aprovada, a transação cortará significativamente a dependência em relação à Braskem, inquilina que hoje responde por aproximadamente 23% da receita contratada do fundo.
De acordo com a gestora Rio Bravo, o ganho líquido potencial somando a venda e a cessão de direitos será de R$ 49,4 milhões, o que representa R$ 6,38 por cota. No entanto, analistas apontam que o recebimento parcelado ao longo de 36 meses eleva o risco de crédito do comprador, enquanto o uso dos recursos para novas aquisições manterá o nível de alavancagem do fundo.
O impasse jurídico com a estatal postal
Outro ponto de destaque na pauta é a proposta de cessão das ações judiciais movidas contra os Correios. O FII sofreu com quebras de contrato e inadimplência após um imbróglio iniciado em outubro de 2024, quando a Defesa Civil interditou um galpão locado pela empresa pública. Embora o TRBL11 tenha obtido a liberação do espaço em dezembro, a estatal rescindiu o contrato unilateralmente em março de 2025, gerando uma ação de multa no valor de R$ 306 milhões.
Caso a maioria aprove a medida, o fundo converterá a disputa incerta em R$ 20 milhões garantidos, divididos em seis parcelas semestrais, além de garantir um earn-out de 40% em caso de vitória nos tribunais. Em contrapartida, o comprador assumirá todas as despesas processuais, eliminando os custos jurídicos do portfólio.
Alterações no regulamento e governança
Além da reestruturação patrimonial, a votação — com encerramento previsto para esta sexta-feira — avalia mudanças profundas na estratégia de atuação. A administração pretende atuar com maior liberdade em projetos de desenvolvimento, operações alavancadas e transações com partes relacionadas.
Especialistas alertam para o risco de mudanças no perfil de risco e na governança, especialmente devido à proposta de elevar a taxa global de gestão e administração dos atuais 0,84% para até 1,10% ao ano.
