Cleitinho diverge de Flávio Bolsonaro e apoia fim da escala 6×1
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), governador eleito de Minas Gerais, oficializou seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) neste segundo turno. No entanto, o parlamentar marcou um posicionamento divergente da estratégia de seu aliado ao defender a votação imediata da PEC que propõe o fim da escala 6×1, pauta que tem gerado embates no Senado.
Divergências sobre o modelo de trabalho
Enquanto a oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca postergar a análise da proposta para o período pós-eleitoral, Cleitinho mantém sua posição favorável ao texto. O grupo de Flávio Bolsonaro, por outro lado, apoia uma alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que sugere a livre negociação entre empresas e funcionários, permitindo a redução da jornada, mas com a possibilidade de cortes salariais.
Ao comentar as divergências políticas com o colega de partido, o senador afirmou: “Eu sou casado com a minha esposa e sou apaixonado por ela e de vez em quando a gente não concorda um com o outro. Nem sempre a gente vai concordar em tudo, mas eu sou a favor. Já tinha que ter votado”.
Críticas à paralisia do Legislativo
Questionado sobre o impacto da tramitação da PEC no pleito, Cleitinho minimizou o teor eleitoreiro da discussão e apontou que o Poder Legislativo tem operado em ritmo lento. Para ele, a prioridade deveria ser a produtividade parlamentar em prol do trabalhador.
“Desde julho que a gente está de recesso, o Congresso sem produzir nada. A fonte de riqueza que é o trabalhador e o empresário está produzindo para manter o Congresso parado. Então deveria já voltar. Inclusive eu estou aqui para, quem dera, se pudesse voltar hoje. Eu espero que vote este ano ainda para poder dar esse privilégio [ao trabalhador], porque o político está fazendo a escala zero por zero, está sem trabalhar. Só está fazendo campanha e usando fundo eleitoral”, afirmou o senador.
Relação com a coordenação de campanha
Apesar da autonomia demonstrada, Cleitinho garantiu que trabalhará para ampliar a votação de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais. O senador também abordou os atritos que teve com a coordenação da campanha, especificamente com Rogério Marinho.
“O que aconteceu durante o primeiro turno é que o PL lançou candidato [em Minas] e estava apoiando esse candidato. Mas durante a campanha eu sempre fiz campanha pro Flávio. Eu fiz sim [críticas a Marinho]. Porque o Rogério nunca quis me apoiar. Isso é fato, pergunta pra ele. Se ele estivesse aqui eu falava na cara dele. Foi nem o Flávio, foi sempre o Rogério. Rogério nunca fez questão de eu estar no palanque do Flávio. Só que o Rogério não entende nada de Minas Gerais”, declarou.
