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Estratégia de rua de Lula em capitais não freia avanço bolsonarista

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentrou grande parte de seus esforços de campanha no primeiro turno em seis capitais onde havia sido superado por Jair Bolsonaro em 2022. No entanto, a estratégia de priorizar agendas de rua em cidades como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis, Brasília e Maceió não surtiu o efeito eleitoral esperado. O resultado foi um aumento de 457.542 votos no déficit do petista em relação ao bloco bolsonarista nessas regiões.

Desempenho eleitoral e foco da campanha

Ao encerrar o primeiro turno, o cenário nacional mostrou que o saldo negativo de 2,23 milhões de votos foi consolidado principalmente fora do roteiro de viagens do candidato, concentrando-se em cidades médias e no interior do país. Nas 21 cidades que visitou, Lula alcançou 50,8% dos votos, mantendo uma vantagem de apenas 356 mil votos sobre Flávio Bolsonaro (PL), enquanto no restante do território nacional a derrota foi de 2,58 milhões de votos.

Em um esforço para reverter o quadro, o presidente participou de uma carreata em Ceilândia, no Distrito Federal, acompanhado pela primeira-dama, Janja, e pelo candidato Leandro Grass. Durante o evento, o petista comentou sobre sua nova postura digital: “Eu agora estou virando o rei da selfie. Estou virando internauta”.

Mudança de rumo com influenciadores digitais

Para o segundo turno, a campanha petista decidiu reformular sua comunicação, trazendo para o centro das decisões jovens lideranças com forte presença online. Entre os nomes que ganham destaque está a deputada Ana Elisa (PT-MG), que defende uma linguagem mais dinâmica para o ambiente digital. Segundo a parlamentar, o conteúdo deve priorizar formatos como Reels e TikTok em detrimento de textos longos. Sobre a estratégia de confronto, ela declarou que o debate com Flávio “terá que ser pessoal”, com exposição do histórico político do adversário.

Ajustes na coordenação e comunicação

A reestruturação da campanha inclui a coordenação de comunicação sob responsabilidade do governador do Piauí, Rafael Fonteles, em parceria com o ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira. Além disso, propostas como o diálogo com torcidas organizadas sobre apostas esportivas, sugeridas pelo vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão, foram incorporadas ao planejamento.

O desafio de Lula é acentuado pela falta de palanques robustos nos estados onde o bolsonarismo se mostrou vitorioso já no primeiro turno, como Paraná, Alagoas, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Com 11 das 28 agendas de campanha dedicadas aos seis focos estratégicos, o petista obteve apenas 55 mil votos de vantagem sobre seu adversário nos três maiores colégios eleitorais do país.

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