Lula cobra detalhes de Flávio Bolsonaro sobre plano de corte de gastos
O presidente Lula (PT) colocou em dúvida, neste sábado (10), a promessa de redução de despesas anunciada por seu oponente na disputa pelo Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL). Durante ato de campanha no bairro de Alecrim, localizado em Natal, no Rio Grande do Norte, o petista argumentou que eventuais reduções orçamentárias tendem a atingir a população de menor renda.
Dúvidas sobre o tesouraço
A declaração ocorreu enquanto o chefe do Executivo conversava com eleitores na capital potiguar. Na ocasião, ele questionou o destino dos recursos que o adversário pretende economizar. “Quando o meu adversário diz que vai cortar R$ 200 bilhões, é preciso que a sociedade comece a se perguntar de onde é que vai ser esse corte. Porque eu não conheço ninguém da elite brasileira que governou esse país e que teve coragem de cortar dos ricos, dos banqueiros, dos empresários, do sistema financeiro, dos fazendeiros. Eles sempre cortam dos pobres”, declarou Lula.
O plano apresentado pela oposição não especifica quais setores sofrerão o impacto das reduções, embora o presidenciável liberal afirme publicamente que programas sociais fundamentais, como o Bolsa Família e o Farmácia Popular, serão preservados. Mesmo assim, o atual presidente cobrou mais transparência: o mandatário afirmou que ele e “o povo queremos saber de onde vai cortar os R$ 250 bilhões com o tesouraço”.
Defesa de conquistas no Nordeste
Aproveitando o palanque na região nordestina, o líder petista utilizou realizações sociais e de infraestrutura para mobilizar sua base eleitoral. No discurso, alertou sobre riscos a investimentos locais caso haja alternância de poder.
“É importante que vocês saibam que, se essa gente ganhar as eleições, tudo aquilo que foi conquistado no Nordeste será destruído. Será o Farmácia Popular, serão os institutos federais, será o Minha Casa, Minha Vida, será o desenvolvimento no Nordeste”, afirmou o presidente.
Estratégia para o segundo turno
Além de discursar sobre a economia, o mandatário direcionou esforços para engajar a parcela do eleitorado que optou por não comparecer às urnas na etapa anterior do pleito. O combate à abstenção, que atingiu cerca de 33 milhões de cidadãos, figura como prioridade central para a estratégia da coligação até o dia 25.
O cenário internacional também foi abordado durante o ato público em solo potiguar, com reflexões sobre o panorama global e os desafios geopolíticos atuais, como conflitos armados e a gestão de preços de combustíveis pelo governo federal.
A viagem ao estado nordestino cumpre um duplo papel na agenda presidencial: além de impulsionar a candidatura local de Cadu Xavier — que utiliza o nome de urna Cadu de Lula — contra Allyson Bezerra (União), o chefe de Estado busca reverter a retração na margem de votos em comparação com o pleito de 2022. No território governado pela petista Fátima Bezerra, a vantagem obtida no primeiro turno caiu de 641 mil para 517 mil votos, queda atribuída pela coordenação da campanha à diminuição do apoio regional esperado pelos aliados.
