Economia e Dinheiro

Santa Catarina vira polo de exportação de carne de codorna

Embora os ovos de codorna sejam populares em petiscos e saladas pelo Brasil, o oeste de Santa Catarina encontrou na produção de carne dessas aves um mercado altamente lucrativo. Em uma propriedade rural situada no município de Coronel Freitas, a rotina diária inclui o abate de até 16 mil aves, sendo que metade desse volume é destinada à exportação para nações como Japão e Emirados Árabes Unidos.

Cadeia produtiva e rigor sanitário

Antes de chegar aos pratos dos consumidores ou aos balcões de comércio exterior, a cadeia avícola exige medidas severas de biossegurança. Na granja catarinense, visitantes e funcionários precisam obrigatoriamente tomar banho e trocar de vestimenta antes de acessar as instalações, enquanto os automóveis passam por processos rigorosos de desinfecção para proteger o plantel.

Iniciada há cinco anos na atividade de corte, a propriedade utiliza os ovos gerados no local exclusivamente para a reprodução, descartando o consumo humano nessa etapa. No setor de matrizeiro, lotes divididos em proporções específicas de machos e fêmeas produzem cerca de 3.500 ovos férteis diariamente, recolhidos quatro vezes ao dia sob condições controladas de temperatura, entre 20°C e 25°C, e iluminação prolongada para assegurar alta taxa de aproveitamento.

Manejo e alimentação na engorda

A espécie escolhida para o corte é a codorna europeia, reconhecida pelo desenvolvimento acelerado. A dieta é adaptada em quatro fases distintas — pré-inicial, inicial, crescimento e final —, ajustando a proporção de proteínas e carboidratos conforme o avanço da idade. Paralelamente, a climatização passa por uma transição rigorosa: inicia-se com 35°C nos primeiros dias de vida e cai gradativamente até atingir 22°C com o surgimento da plumagem.

Estratégias de iluminação e peso ideal

Durante o período de engorda, os galpões mantêm iluminação ininterrupta de 24 horas por dia. O objetivo dessa prática é estimular o consumo constante de água e ração até que os animais alcancem a massa corporal adequada para o processamento no frigorífico.

Mercado interno e preferências internacionais

O critério definitivo para o abate é o peso corporal, sem distinção de gênero. A granja comercializa exemplares inteiros com 100, 150 e 200 gramas, com o quilo cotado a R$ 50 em média. As carcaças mais leves, de 100 e 150 gramas, atendem prioritariamente os compradores estrangeiros, enquanto as aves de 200 gramas permanecem no território nacional, abastecendo principalmente o Distrito Federal, partes do Nordeste e a Região Sul.

No âmbito culinário regional, a carne também ganha destaque em pratos típicos preparados por cozinheiros locais. Em Arvoredo, a receita de codorna recheada feita no fogão a lenha — que leva recheio de carne bovina, queijo, milho, azeitona e farinha de rosca, além de um molho apurado com temperos frescos — demonstra a versatilidade gastronômica da ave além dos tradicionais ovos em conserva.

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