Triângulo Mineiro

Morte de pecuarista que matou jovem em SP gera impasse judicial

O falecimento de João Roberto Bolelli, de 62 anos, suspeito de assassinar a ex-companheira Priscila Lacerda Custodio, de 24 anos, em Rifaina (SP), adicionou camadas de mistério a um caso que já era complexo. O pecuarista foi localizado sem vida em uma área de mata próxima à sua propriedade, portando uma carta manuscrita, um aparelho celular e aproximadamente R$ 15 mil em espécie. Próximo ao corpo, os agentes encontraram uma munição de revólver calibre .38 intacta, embora nenhuma arma de fogo tenha sido apreendida até o momento.

Conflito sobre o patrimônio e a causa da morte

A investigação enfrenta um embate direto entre as partes. A advogada da família de Bolelli, Lauriane Baldini França, alega que cerca de R$ 100 mil desapareceram e que o valor encontrado com o corpo não compõe essa quantia. Sobre a causa da morte do pecuarista, a defesa também apresentou oscilações. Inicialmente, com base em conversas informais com a perícia, a advogada chegou a mencionar um possível infarto. Contudo, nesta terça-feira (3), ela esclareceu que o laudo prévio aponta causa desconhecida.

Por outro lado, a defesa da família de Priscila, representada pelo advogado Diogo Máximo, mantém cautela e questiona as alegações da defesa do suspeito. Segundo o advogado, o suposto desaparecimento dos R$ 100 mil não consta no inquérito. Em relação à postura da família de Bolelli, Máximo declarou: “Para o advogado, a família do pecuarista tenta ‘desqualificar a Priscila’”.

Contradições sobre o relacionamento e rastreamento

A dinâmica do relacionamento entre Priscila e Bolelli é alvo de versões opostas. Enquanto a defesa do pecuarista sustenta que o casal mantinha um vínculo estável e viajava junto, o namorado da jovem, Samuel Ramos, afirma que ela tentava romper o contato e sofria perseguição. A advogada de Bolelli nega o uso de detetives, justificando que o monitoramento da caminhonete — pivô da discussão que terminou em tragédia — era feito por rastreador obrigatório da seguradora.

A presença de terceiros no local do crime

Outro ponto de divergência reside na chegada de pessoas ao local onde Priscila foi baleada. O irmão da vítima, Geovane Santana, relatou que o pecuarista não estava sozinho, mas a defesa de Bolelli contesta a existência de “capangas”, afirmando que as imagens da Guarda Civil Municipal indicam apenas a presença de familiares que teriam passado pelo local no momento do ocorrido ou para prestar socorro.

O caso, agora, aguarda a conclusão dos laudos oficiais para esclarecer a data e a causa da morte do pecuarista, além de desvendar o conteúdo da carta apreendida. Diante da impossibilidade de punição penal do suspeito, a família de Priscila reafirma a busca por justiça. “A Priscila foi vítima de um feminicídio. Ponto”, afirmou o advogado Diogo Máximo.

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