Triângulo Mineiro

Ciclista mineiro retorna a Araxá após pedalar da Argentina ao Alasca

Após uma jornada épica de três anos sobre duas rodas, o engenheiro Lucca Rosa retornou para sua terra natal, em Araxá, no Alto Paranaíba. Aos 26 anos, o jovem concluiu uma expedição monumental que teve início em 2023, quando ele decidiu deixar o emprego para pedalar desde o extremo sul argentino até o Alasca, nos Estados Unidos.

O planejamento e o surgimento do “Hermano das Américas”

A semente da aventura foi plantada em 2019, após uma travessia de bicicleta pelo Uruguai. O feito deu a confiança necessária para o então jovem de 23 anos juntar economias e planejar a grandiosa rota continental, período em que documentou todo o cotidiano na internet e ganhou o apelido de “Hermano das Américas”.

“Eu sempre quis conhecer o mundo e nessa época me apaixonei pelo pedal. Aí pensei que, se era capaz de cruzar um país, conseguiria também cruzar um continente”, disse o ciclista.

Desafios extremos e solidariedade pelo caminho

Ao longo de 16 países, Lucca encarou cenários drásticos, desde desertos escaldantes até trechos isolados de quatro dias sem civilização, além do temor constante de animais selvagens na América do Norte.

“Até para cozinhar eu tinha que ter cuidado. Montava o fogão em um local afastado da barraca, para que o cheiro não atraïsse animais para onde estava acampado. E cheguei a ficar algumas noites sem dormir, com medo da barraca ser atacada por um urso”, relembrou.

Superação e hospitalidade internacional

Apesar das intempéries, como o primeiro contato com a neve e a tensão de acampar em áreas isoladas, o apoio das comunidades locais foi o grande diferencial para o sucesso da empreitada.

“Eu chegava em povoados muito pequenos, sem saber onde ia dormir. E sempre encontrava alguém para me acolher. Em pouco tempo, alguém já me oferecia abrigo, me convidava para jantar. Ao longo desse período, cheguei a dormir em todo tipo de lugar, até mesmo em prefeituras, corpo de bombeiros, igrejas…”, relatou.

Aprovando a experiência de autonomia proporcionada por uma bicicleta alemã equipada com gerador de energia nas rodas, o viajante agora recarrega as energias junto aos familiares. Contudo, o descanso é temporário, pois novos horizontes já povoam seus planos para o futuro.

“Nesses três anos, conheci muita gente bacana pelo caminho. Fiz amigos do Japão, Nova Zelândia e outros países. E nas conversas, eles sempre falaram do quanto é legal pedalar por esses lugares. Ainda não sei quando vai ser possível sair para uma nova expedição, mas quero sim conhecer outros continentes e continuar pedalando”, concluiu.

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