Triângulo Mineiro

Polícia indicia dez suspeitos por desvio de fertilizantes em Minas Gerais

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu investigações e indiciou dez pessoas apontadas como integrantes de uma organização criminosa voltada ao desvio e à adulteração de cargas de fertilizantes no Triângulo Mineiro. As autoridades estimam que o prejuízo causado a fabricantes e transportadoras ultrapasse a marca de R$ 1,5 milhão.

Como funcionava a fraude com rastreadores

O esquema criminoso utilizava uma estratégia engenhosa para burlar a fiscalização de empresas de gerenciamento de risco e seguradoras. Os motoristas envolvidos desviavam os caminhões carregados com insumos agrícolas em direção a um galpão clandestino localizado às margens da rodovia MG-414, em Araguari.

Antes de chegarem ao imóvel, os condutores retiravam os rastreadores dos veículos e repassavam os aparelhos para outro integrante da quadrilha, que ficava plantado em um posto de combustíveis. Dessa forma, os sistemas de monitoramento indicavam que os caminhões seguiam estacionados no posto, encobrindo o desvio real das mercadorias.

Adulteração e divisão de tarefas no galpão

Dentro do galpão, o material passava por um processo de adulteração. Parte do fertilizante puro era desviada para venda clandestina paralela, enquanto o restante da carga era misturado a insumos de menor valor com o auxílio de maquinário pesado, incluindo pás carregadeiras e empilhadeiras. Após a mistura, os bags recebiam novos lacres e seguiam viagem para o destino final.

Balanço das apreensões policiais

As ações ostensivas que desarticularam o grupo começaram em julho de 2026. Durante a operação que estourou o galpão, as autoridades apreenderam mais de 125 toneladas de fertilizantes e insumos agrícolas.

O patrimônio utilizado pelo grupo também foi confiscado pela polícia, incluindo uma pá carregadeira avaliada em R$ 330 mil, uma empilhadeira estimada em R$ 75 mil e um caminhão avaliado em aproximadamente R$ 420 mil.

Ao término das apurações, os dez suspeitos foram indiciados pelos crimes de adulteração de produtos destinados ao consumo ou à agricultura, constituição de organização criminosa e falsidade ideológica. O inquérito policial já foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, cabendo agora aos órgãos de justiça avaliarem a denúncia e a eventual responsabilização penal dos envolvidos.

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