Homem é condenado a 20 anos de prisão por assassinato motivado por homofobia em Patos de Minas
Um jovem de 19 anos foi condenado a 20 anos de prisão, em regime inicial fechado, por ter ajudado e incentivado um adolescente de 17 anos a assassinar Kennedy Rodrigues Campos, de 26 anos, em Patos de Minas, no Alto Paranaíba. O julgamento no Tribunal do Júri durou cerca de 10 horas e a sentença foi publicada após a conclusão dos trabalhos.
Motivação e dinâmica do crime
De acordo com o Ministério Público (MP), a motivação do homicídio foi a homofobia. O crime ocorreu em fevereiro deste ano, após a vítima manifestar o desejo de manter uma relação homoafetiva com os agressores dentro de sua residência, durante a madrugada.
Conforme a denúncia, o adolescente desferiu golpes de faca no pescoço da vítima enquanto o réu a segurava e tapava sua boca para impedir qualquer reação. A acusação apontou que o participante maior de idade já havia instigado o menor a cometer o assassinato anteriormente. Mensagens extraídas de celulares comprovaram o planejamento prévio do crime.
Julgamento e depoimentos
Durante a sessão do júri, testemunhas como o delegado responsável pela investigação, um policial militar e uma vizinha prestaram depoimento. A moradora relatou ter escutado uma discussão no apartamento durante a noite e encontrado marcas de sangue no corredor no dia seguinte, o que levou ao acionamento das autoridades policiais.
A defesa do réu solicitou a absolvição sob alegação de falta de provas e negou a participação dele na morte. Em seu depoimento, o condenado alegou que estava no local apenas para fumar e que não sabia de nenhum plano homicida. Contudo, os jurados rejeitaram as teses defensivas e reconheceram as qualificadoras de motivo torpe, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e o crime de corrupção de menores.
Investigação e repercussão
A vítima trabalhava na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade. Em nota oficial, o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Alto Paranaíba declarou que “Kennedy atuava com dedicação, compromisso e humanidade, exercendo a enfermagem com responsabilidade, zelo e profundo respeito às pessoas”.
A defesa informou que o réu é inocente com base nas provas dos autos e que já interpôs recurso contra a decisão. O homem permanece preso preventivamente e não poderá recorrer em liberdade, enquanto o procedimento relativo ao adolescente foi encaminhado ao Juizado da Infância e da Juventude.
