Homem é condenado a 75 anos de prisão por feminicídio em MG
O Tribunal do Júri de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, condenou Renato Alves de Sousa, de 42 anos, a 75 anos de prisão em regime fechado pelo feminicídio de sua ex-companheira, Tatiane Rodrigues Teixeira. O crime, ocorrido em 2 de novembro de 2025, chocou os presentes em uma confraternização na zona rural da cidade.
Dinâmica do crime e condenação
Além da pena privativa de liberdade, a Justiça determinou que o réu pague uma indenização de R$ 100 mil aos dois filhos da vítima, sendo R$ 50 mil para cada um. A decisão foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Questionada sobre o resultado do julgamento, a Defensoria Pública, responsável pela defesa, informou que “não comenta sobre casos criminais concretos, em especial os que tramitam sob sigilo para não comprometer o devido processo legal”.
O ataque durante a festa
Conforme apurado pelas autoridades, o agressor não havia sido convidado para o evento, mas compareceu ao local acompanhando a vítima. Após se ausentar e retornar, ele abordou Tatiane de forma dissimulada. Segundo o delegado Luís Mauro Sampaio, “Ele chegou tranquilo, colocou as mãos nos ombros dela, como se fosse um abraço, deu um beijo na boca e pediu para falar algo no ouvido. Nesse momento, ele sacou a faca e a esfaqueou”.
Tentativa de socorro e prisão
O ataque ocorreu diante de cerca de 20 testemunhas, incluindo a filha da vítima, que na época tinha 16 anos. Pessoas presentes chegaram a arremessar cadeiras de plástico contra o homem na tentativa de impedir a agressão. Após o crime, o suspeito fugiu em uma caminhonete, mas foi interceptado pela Polícia Militar após uma perseguição em alta velocidade. Ele foi detido em flagrante e confessou o ato.
Histórico de violência e memória da vítima
Tatiane, que trabalhava como manicure, era descrita como uma mulher alegre e dedicada. O relacionamento com o autor, marcado por ciúmes e comportamento possessivo, teria sido alvo de episódios anteriores de agressão. Uma amiga da vítima, que preferiu o anonimato, relembrou a personalidade da manicure: “A memória que fica é a melhor possível: a amiga que me colocava para cima, que me dava força quando eu mais precisava. Quando a vi caída no chão não consegui acreditar. Pelo ser humano que ela era, sorridente, leve, sempre com bons conselhos, foi devastador vê-la daquele jeito”.
Outro relato reforça que a vítima buscava encerrar o vínculo definitivamente. “Ela era muito dedicada aos filhos, uma mulher alegre, cheia de sonhos. Na semana passada estava com o astral elevado, porque tinha uma viagem de férias marcada com as amigas. Disse que, na terça anterior, estava apenas ‘ficando’ com ele [o suspeito], que ele havia pedido para reatarem e ela recusou”, pontuou a amiga.
