Triângulo Mineiro

Abstenção no primeiro turno em Uberlândia revela disparidade de 13% entre bairros

O primeiro turno das Eleições 2026 em Uberlândia foi marcado por uma disparidade superior a 13 pontos percentuais na abstenção entre diferentes regiões da cidade. Enquanto os maiores índices de ausência se concentraram em bairros periféricos e novos loteamentos das bordas urbanas, as localidades com maior consolidação socioeconômica apresentaram um engajamento bem mais expressivo dos eleitores.

Bairros periféricos lideram índice de ausência

Levantamento com base nas zonas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que os bairros Morada Nova, Pequis e Monte Hebron encabeçam o ranking de taxa proporcional de faltosos no município. Nessas localidades, o percentual de eleitores que deixou de comparecer às urnas variou de 25,68% a 26,72%, evidenciando um afastamento expressivo do pleito.

Em contrapartida, o cenário foi bem diferente em regiões com maior infraestrutura. O Granja Marileusa registrou a menor taxa de abstenção de Uberlândia, com 13,51%, seguido por Carajás (17,36%), Pacaembu (17,48%) e Minas Gerais (17,76%). A diferença de 13,21 pontos percentuais entre o maior e o menor índice significa que, enquanto mais de um em cada quatro eleitores faltou no Morada Nova, quase nove em cada dez votaram no Granja Marileusa.

Fatores socioeconômicos e distanciamento político

Para o professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Moacir de Freitas Júnior, existe um histórico de maior abstenção entre o eleitorado de menor renda, embora não se trate de um fator isolado. “O eleitorado de menor renda, historicamente, é o que mais se abstém. Existem fatores como dificuldades de deslocamento, questões cadastrais e obstáculos da vida cotidiana que podem influenciar essa decisão”, explicou o docente.

Além dos entraves logísticos, o especialista aponta uma desconexão entre a população e o sistema político. Muitos moradores avaliam que o voto não trará transformações práticas para o seu cotidiano. “Ele pensam: não importa se eu for votar ou não, porque no dia seguinte eu tenho que trabalhar do mesmo jeito, então eu não vou. E aproveitam o domingo com a minha família e não vão. Se desconectam da política”, pontuou o pesquisador.

Santa Mônica concentra maior número absoluto de faltosos

Apesar de não liderar o ranking proporcional, o bairro Santa Mônica contabilizou a maior quantidade absoluta de abstenções na cidade. Foram 8,336 eleitores ausentes em um universo de 43,702 aptos a votar, o que representa uma taxa de 19,07%. O volume expressivo é explicado pelo fato de a região abrigar um dos maiores colégios eleitorais do município, sediado no campus Santa Mônica da própria UFU.

A expectativa para a próxima etapa do pleito é de que o engajamento possa aumentar. A avaliação da universidade é de que disputas acirradas costumam atrair mais cidadãos às urnas, seguindo a tendência observada em eleições anteriores, onde o segundo turno registrou maior mobilização popular.

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