Policial militar que agrediu mulher com cotoveladas em Belo Horizonte responde a inquérito por homicídio
O policial militar Samuel Martins Passos, flagrado recentemente dando cotoveladas e empurrões em uma mulher de 61 anos em Belo Horizonte, figura como um dos investigados pela morte de um homem durante uma ocorrência em Sabará, na Região Metropolitana da capital mineira, no ano de 2022.
Histórico de violência e morte em Sabará
De acordo com registros judiciais, Samuel e outros dois agentes — Breno Henriques Martins Duarte e Renato Rodrigues da Silva — são investigados pelo óbito de Victor Emanuel Ribeiro. A vítima foi baleada em 7 de julho de 2022 na rodovia MGC-262, no bairro Novo Alvorada.
Na época do crime, a corporação militar sustentou que os policiais tentaram interceptar um veículo cujos ocupantes teriam efetuado disparos de arma de fogo. Após uma troca de tiros inicial, o carro foi localizado posteriormente e, em uma nova tentativa de abordagem, os militares relataram ter sido alvejados novamente. Victor foi baleado no interior do automóvel, socorrido para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas veio a óbito.
Conclusão da PM e reviravolta do Ministério Público
O inquérito conduzido internamente pela corporação concluiu que os agentes atuaram em legítima defesa e no estrito cumprimento do dever legal. Em outubro de 2022, o comando do 61º Batalhão optou por não indiciar os policiais envolvidos, mesmo reconhecendo que laudos periciais e exames residuográficos ainda estavam inconclusivos.
Contudo, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) discordou da avaliação militar e apontou que os fatos poderiam configurar homicídio doloso, modalidade em que há intenção de matar e cujo julgamento compete ao Tribunal do Júri. O caso foi então remetido à Justiça comum, e o MPMG solicitou novas diligências à Polícia Civil para uma análise aprofundada dos acontecimentos.
Agressão recente no bairro Santa Inês
O nome de Samuel voltou a figurar no centro de uma polêmica no último sábado (24), após uma abordagem truculenta registrada em frente a um estabelecimento comercial no bairro Santa Inês, na Região Leste de Belo Horizonte. A vítima das agressões foi identificada como Ângela Maria de Souza, que tentou intervir em uma ação policial direcionada ao seu filho.
Relato da vítima e versão da corporação
À TV Globo, a mulher contou que foi até o local ao saber que o filho havia sido abordado. Segundo ela, as agressões começaram após se recusar a deixar o local.
Além de Ângela, dois funcionários do comércio que tentaram prestar auxílio foram conduzidos à delegacia, ouvidos e posteriormente liberados. A Polícia Civil lavrou um Termo Circunstanciado de Ocorrência por desacato e favorecimento pessoal.
Em nota, a corporação militar argumentou que a mulher desacatou os policiais e ofereceu resistência à prisão, justificando o emprego de técnicas de contenção, e garantiu que a conduta dos agentes passará por rigorosa apuração.
