Minas Gerais

Eleições em Minas Gerais: virada de Lula, queda na abstenção e chuva marcam o segundo turno

O segundo turno das eleições de 2026, realizado no último domingo (25), ficou marcado pela virada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro em Minas Gerais, acompanhada por uma significativa redução na abstenção e por ocorrências decorrentes de temporais no estado.

Lula atingiu 50,43%, o equivalente a 6.351.099 votos válidos, superando Flávio Bolsonaro, que obteve 49,57% ou 6.241.786 votos. A margem final foi de 109.313 votos, com mais de 13 milhões de eleitores comparecendo às urnas mineiras e cerca de 3,3 milhões de abstenções.

A virada histórica e o comportamento das grandes cidades

Minas Gerais configurou-se como o único estado brasileiro onde a liderança na corrida presidencial se inverteu do primeiro para o segundo turno. Em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro liderava com 48,24% frente a 43,33% de Lula.

No novo pleito, o cenário mudou e o petista adicionou mais de 1,1 milhão de votos à sua contagem anterior, enquanto o adversário avançou cerca de 464 mil votos. Apesar da vitória estadual de Lula, Flávio Bolsonaro obteve mais votos em oito dos dez maiores municípios mineiros, incluindo Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem, Betim, Montes Claros, Uberaba, Governador Valadares e Ipatinga. Lula saiu vitorioso apenas em Juiz de Fora e Ribeirão das Neves. Na capital, o candidato do PL venceu com 50,80% ante 49,20% do atual presidente.

Participação popular, abstenção e comemorações

O engajamento do eleitorado apresentou alta, fazendo com que a abstenção caísse 10,9% no estado. O total de ausências recuou de 3.735.098 no primeiro turno para 3.327.941 no segundo, representando uma retração de 22,81% para 20,33% na taxa de ausentes.

Com o resultado oficial, apoiadores do presidente realizaram carreatas e concentrações na capital mineira, com destaque para a Rua Sapucaí, no bairro Floresta, além da Praça Sete e do Viaduto de Santa Tereza.

Ocorrências nas urnas, prorrogação e assédio eleitoral

O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais classificou a votação como tranquila, exigindo a substituição de 140 urnas eletrônicas, o que representa 0,27% do total de seções. Foram contabilizadas 127 ocorrências de segurança e 52 conduções a delegacias até o início da noite de domingo.

Uma decisão do Supremo Tribunal Federal prorrogou o horário de votação até as 19h, gerando impasses em locais onde urnas já haviam sido lacradas antes da comunicação oficial. O Tribunal Superior Eleitoral apontou posteriormente que Minas registrou 2.253 votos computados após as 17h.

Paralelamente, o Ministério Público do Trabalho colocou Minas Gerais como o segundo estado com maior volume de denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho, acumulando 212 registros até o término da votação.

Por fim, temporais atingiram a Região Metropolitana de Belo Horizonte no domingo, provocando alertas severos da Defesa Civil para riscos de alagamentos e queda de granizo. Ao todo, 349 locais de votação perderam o fornecimento de energia elétrica, embora os equipamentos de votação tenham operado normalmente com o suporte de suas baterias internas.

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