Triângulo Mineiro

Sapo-cururu ferido por cachorro passa por exame antes de soltura

Após quase três semanas sob cuidados médicos, o sapo-cururu chamado de Naveen recebeu alta médica e está pronto para retornar ao seu habitat natural em Uberlândia, localizada no Triângulo Mineiro. O animal deu entrada no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) no final de setembro, após ser vítima de um ataque de cachorro.

Avaliação oftalmológica e cicatrização

Como parte dos procedimentos finais, os veterinários realizaram uma checagem minuciosa para confirmar se a úlcera de córnea havia sanado por completo, etapa que exigiu a aplicação de colírio no anfíbio. A úlcera ocular consiste em uma lesão na camada transparente frontal do olho, gerando desconforto, irritação e comprometimento visual.

Embora o procedimento seja popularmente chamado de exame de vista, o médico-veterinário chefe da instituição, Márcio Bandarra, esclareceu que a intenção não foi mensurar a acuidade visual do paciente, mas sim certificar o fim da ferida corneana. Para isso, a equipe pingou um colírio especial com corante na região afetada, lavando o local logo em seguida.

“Se ainda tiver a úlcera, ou seja, o contato com o estroma do olho, esse corante vai ficar impregnado no interior do olho. Então a gente constata que realmente ainda tem a passagem que esse animal possui a úlcera”, explicou Bandarra.

No término da lavagem, nenhum vestígio do corante permaneceu nos olhos de Naveen, atestando o fim do problema. “Quando limpa, como nós fizemos, e acaba não tendo esse resquício, o animal não tem mais a úlcera de córnea”, afirmou o especialista.

Resgate e reabilitação na universidade

O anfíbio foi socorrido em 18 de setembro por uma moradora do bairro Nossa Senhora das Graças. O cão da família havia investido contra o bicho, mas a proprietária interveio a tempo, separou os animais e abrigou o sapo com segurança antes de levá-lo ao hospital veterinário no dia seguinte.

A triagem revelou inchaço e desequilíbrios metabólicos severos. Exames laboratoriais e de imagem demonstraram uma taxa elevada de amônia no organismo. “Como ele estava fora da água, ele não conseguiu tirar essa amônia do corpo”, pontuou Bandarra.

Sinais neurológicos e adaptação

Além da intoxicação, o paciente manifestou sintomas neurológicos, como tronco inclinado e perda de postura. Para reverter o quadro, o corpo clínico adaptou o recinto hospitalar para simular níveis ideais de umidade, o que garantiu a evolução positiva do quadro clínico.

Novas rodadas de exames de sangue e raio-X realizadas no dia 30 de setembro atestaram a melhora definitiva, pavimentando o caminho para a soltura programada para esta sexta-feira (9) em um ambiente seguro perto de rios ou lagoas da região.

Importância ambiental e cuidados necessários

O episódio com Naveen reforça o papel ecológico dos anfíbios no controle biológico de pragas. Por atuarem como predadores vorazes de insetos, os sapos-cururus auxiliam na contenção de pernilongos, mosquitos e outros pequenos animais, gerando benefícios diretos para a comunidade. “Esses animais são fundamentais para preservar também a nossa saúde”, destacou o veterinário.

Diante do encontro com animais silvestres, a recomendação oficial é evitar qualquer tipo de manipulação ou tentativa de captura. A conduta correta envolve afastar animais de estimação e acionar especialistas. Vale lembrar que o sapo-cururu possui glândulas cutâneas defensivas que expelem toxinas irritantes se comprimidas, exigindo higienização imediata das mãos em caso de contato acidental.

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