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Dono do Banco Master aponta repasses milionários para filme sobre Lula

O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, relatou ter repassado R$ 30 milhões em espécie ao Instituto Lula para financiar um documentário sobre o presidente. De acordo com informações divulgadas pela imprensa, o empresário afirmou que a movimentação fazia parte de um esquema com integrantes do PT para garantir acesso a recursos de fundos de pensão de empresas estatais.

Negociações e exigências financeiras

Conforme os registros obtidos, as tratativas teriam começado por intermédio de Augusto Lima, ex-sócio e executivo do banco, que contatou João Vaccari Neto, ex-tesoureiro petista. A versão apresentada aponta que Vaccari exigiu a quantia para custear a produção sobre o chefe do Executivo e cobrou uma comissão de 10% sobre os valores captados em fundos como Previ, Petros e Postalis.

Em trecho de gravação divulgado, o empresário comparou o repasse com o patrocínio legalmente destinado a outro projeto audiovisual: “O filme do Lula eu coloquei acho que até mais, eu acho que dá até mais. Só que o do Lula foi por fora, foi errado. O do Flávio não foi, porque foi patrocínio, foi patrocínio normal”. Em outro momento da mesma conversa, ele mencionou: “Banco do Brasil a gente estruturou isso com ele. E… O Augusto adianta ali para o Okamotto do Instituto Lula… E aí tem o negócio do filme também. O cara pede para colocar dinheiro no filme do Lula.”

Articulações com auxiliares e fundos

O banqueiro também apontou a participação de nomes ligados ao ministro Alexandre Padilha, que na época respondia pela Secretaria de Relações Institucionais. Mensagens analisadas indicam a atuação de Olavo Noleto, secretário-executivo da pasta, e de um operador chamado Júlio na intermediação com os fundos de previdência. Uma transferência de R$ 500 mil foi identificada como adiantamento para facilitar a entrada da instituição financeira na lista de aptas a receber investimentos estatais.

Situação jurídica e defesas

As revelações integram tentativas frustradas de acordo de delação premiada apresentadas por Vorcaro, cujos relatos iniciais não tiveram andamento na Procuradoria-Geral da República por falta de comprovação material suficiente.

Procurados pela reportagem, o presidente Lula declarou que “jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira nem autorizou terceiros a receber recursos de Vorcaro em seu nome”. Olavo Noleto e Alexandre Padilha também rechaçaram qualquer proximidade ou envolvimento com o banqueiro, enquanto investigações e análises de novas propostas de colaboração seguem em andamento.

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