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Noruega estuda proibir óculos com inteligência artificial em locais públicos

O governo da Noruega estuda implementar uma proibição temporária para o uso de óculos inteligentes com inteligência artificial em áreas públicas. A iniciativa tem como objetivo principal barrar a captação de imagens e vídeos de cidadãos sem aviso prévio em locais de grande circulação, como praias, parques e instituições de ensino, até que o país estabeleça regras definitivas para esses dispositivos.

Preocupação com a privacidade e novas regras

O anúncio da medida ocorreu por parte das autoridades locais. O Ministro de Digitalização e Governança Pública, Torgeir Eikstad Michaelsen, destacou que o crescimento desses gadgets gera alertas urgentes relacionados ao resguardo da vida privada. Ele afirma que o banimento dará tempo para uma “avaliação minuciosa” e a criação de uma regulação permanente para a tecnologia.

Antes mesmo de uma determinação em âmbito federal, a capital Oslo já havia vetado os equipamentos nas escolas. Na mesma linha, a companhia estatal Equinor proibiu que seus colaboradores utilizem os acessórios nas dependências de trabalho.

Restrições globais e panorama de mercado

A discussão sobre o avanço dos gadgets de realidade aumentada não se restringe aos países nórdicos. Conforme informações da agência Reuters, tribunais em Nova York, na Inglaterra e no País de Gales já impuseram restrições ao uso desse tipo de equipamento em suas dependências judiciais.

No cenário mercadológico, os dispositivos tecnológicos ganham espaço, mas ainda geram desconfiança. Dados de um levantamento conduzido pela Security.org nos Estados Unidos indicam que apenas 5% dos cidadãos possuem os acessórios, enquanto 25% planejam adquirir um modelo em breve. Em contrapartida, 45% dos consultados rejeitam totalmente a ideia de ter um exemplar.

A percepção dos consumidores sobre o monitoramento

O fator segurança e privacidade é o principal entrave para a popularização em massa. O assunto foi apontado como prioridade por 78% do público feminino e 65% do masculino. Além disso, uma parcela expressiva de 85% dos adultos apoia a criação de legislações que obrigue os fabricantes a incluírem indicadores visuais claros quando os óculos estiverem realizando gravações.

Diante do cenário, companhias do setor buscam alternativas para contornar a rejeição. A Meta, principal player do segmento, introduziu opções voltadas ao mercado sem recursos de captura visual, a exemplo do modelo Ray-Ban Meta Audio, focado exclusivamente em interações via inteligência artificial sem o uso de lentes de câmera.

No Brasil, o debate sobre o uso indevido desses aparelhos também mobiliza autoridades. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reafirmou que os óculos smart não podem ser utilizados nas cabines de votação, o que configura crime eleitoral. Ainda assim, um caso chegou a ser registrado durante o primeiro turno, no último domingo (04/10).

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