Eleição no Rio: desistência de Garotinho pode definir 1º turno
O cenário político do Rio de Janeiro pode sofrer uma reviravolta decisiva após a desistência da defesa de Anthony Garotinho (Republicanos) em seu recurso junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com o indeferimento da candidatura, os 3,17% dos votos atribuídos ao político devem ser invalidados, o que coloca Douglas Ruas (PL-RJ), que obteve 49,27%, em uma posição favorável para conquistar o governo estadual ainda no primeiro turno, encurtando a disputa contra Eduardo Paes (PSD-RJ), que somou 42,76%.
O imbróglio jurídico envolvendo o TSE
A situação de Garotinho já era incerta antes mesmo do pleito realizado no último domingo (4). Em 11 de setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) negou, por unanimidade, o registro de sua candidatura devido à suspensão de seus direitos políticos por condenação de improbidade administrativa. Embora o nome do candidato tenha aparecido nas urnas, os votos foram contabilizados como “anulados sub judice” após o TSE revogar uma liminar anterior.
Defesa retira recurso após o pleito
Na segunda-feira (4), os advogados do ex-governador optaram por retirar o recurso que tramitava na corte superior. Ao justificar a medida, o candidato criticou o processo eleitoral. “Não perderei tempo reclamando da justiça eleitoral, pois a imensa maioria da população viu a perseguição sofrida por mim, tão clara como a luz do sol”, disse Garotinho.
O político ainda complementou sobre a decisão jurídica: “Portanto, em função do resultado manifestado nas urnas, não me resta outra decisão jurídica, a não ser desistir, de forma livre, expressa, consciente e irretratável, do recurso ordinário eleitoral interposto nos autos do referido processo que tramita no TSE, deixando para o povo do nosso Estado arcar com a consequência das suas escolhas”.
Críticas aos adversários
Durante o processo, Garotinho não poupou ataques aos concorrentes que seguem no páreo. “Os candidatos que vão participar do segundo turno, são chefes de máquinas poderosas de crime e corrupção, que tem cúmplices nos altos escalões”, afirmou. Ele ainda sustentou que as instituições estaduais foram “capturadas pelo crime e a corrupção” e concluiu: “A votação de hoje representou a consagração dos corruptos, grande parte reeleita para a ALERJ e a câmara federal”.
Posicionamento do Ministério Público Eleitoral
Nesta terça-feira (6), a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) manifestou-se favorável à aceitação da desistência. O vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, argumentou que, mesmo diante do regimento do TSE que veda a desistência após o pleito, a medida seria o caminho mais célere. Caso o tribunal opte por não acatar o pedido de desistência, o órgão ministerial pede que o recurso seja rejeitado de qualquer maneira, mantendo o indeferimento da candidatura de forma definitiva.
