Economia e Dinheiro

Bolsa brasileira: o que o UBS BB aponta após o 1º turno eleitoral

O cenário político desenhado após o primeiro turno das eleições de 2026 trouxe uma nova dinâmica para o mercado financeiro. Com a liderança de Flávio Bolsonaro à frente de Lula e um Congresso com inclinação ao centro-direita, investidores passaram a precificar a possibilidade de mudanças relevantes na condução da economia a partir de 2027.

O papel da disciplina fiscal

Para o UBS BB, o ponto central para o desempenho dos ativos brasileiros não reside apenas no resultado das urnas, mas na sinalização que o governo eleito dará sobre a política fiscal. O banco destaca que o atual momento aumentou de forma relevante a chance de um ponto de inflexão nas expectativas para as contas públicas. Caso ocorra uma sinalização de maior austeridade, a percepção de risco país tende a cair, o que reduziria o custo de capital e permitiria uma reprecificação positiva das ações na bolsa.

Apostas em pagamentos e juros

O setor de pagamentos é visto como um dos mais sensíveis à trajetória dos juros. De acordo com o UBS BB, a queda da taxa Selic aliviaria o custo de funding de empresas como PagSeguro (PAGS) e Stone (STNE), impactando diretamente seus resultados. Segundo as projeções dos analistas, cada redução de 1 ponto percentual nos juros poderia adicionar cerca de R$ 350 milhões ao lucro antes de impostos da PagSeguro e entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões ao da Stone, embora parte desse benefício possa ser mitigada pela competição e ajustes de preços no setor.

O impacto na B3 e no setor de seguros

A B3 (B3SA3) surge como uma das principais beneficiárias de um ambiente de juros menores. A queda na rentabilidade da renda fixa tende a estimular a migração de investidores para a bolsa e favorecer a entrada de capital estrangeiro. Esse fluxo, somado ao aumento no volume de negociações e possíveis novas listagens, cria um cenário favorável para a infraestrutura do mercado financeiro.

Já no segmento de seguros, a análise é mais cautelosa. Embora a recuperação do crédito possa impulsionar empresas de bancassurance como BB Seguridade (BBSE3) e Caixa Seguridade (CXSE3), o efeito negativo da queda dos juros sobre a receita financeira das aplicações dessas companhias cria um cabo de guerra. Por isso, a preferência do UBS BB no setor recai sobre o IRB (IRBR3), que se destaca por mudanças regulatórias e um ambiente de resseguros mais promissor.

Por fim, o Mercado Livre (MELI) é monitorado sob a ótica do consumo e crédito, embora o banco mantenha recomendação neutra para o papel, citando a falta de visibilidade para expansão de margens. Outras empresas, como dLocal, Vinci e Méliuz, também podem capturar a melhora do sentimento de mercado por diferentes canais, desde a diversificação geográfica até o aquecimento do varejo interno.

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