Minas Gerais

Academias usam IA e dados para otimizar horários e preços

O desafio de equilibrar salas lotadas no horário de pico e espaços desertos durante a tarde é uma realidade que afeta o lucro das academias. Com custos fixos inalterados, como aluguel e folha de pagamento, a solução encontrada pelo setor é transformar a análise de dados e a inteligência artificial em aliados estratégicos para a gestão da ocupação.

Precificação dinâmica como estratégia de negócio

A implementação da precificação dinâmica permite que as academias ajustem seus planos baseando-se no fluxo real de usuários. Em vez de uma mensalidade única, o modelo utiliza o movimento como indicador para criar ofertas que atraiam alunos para períodos de baixa procura. A meta é otimizar a infraestrutura disponível sem comprometer o ticket médio da operação.

Para que essa estratégia seja eficaz, a organização de informações é fundamental. É preciso ter um histórico rigoroso de frequência, contratos e pagamentos. Segundo a Pacto Soluções, empresa de tecnologia para o segmento, essa organização é vital. “A base de dados estruturada deixou de ser um diferencial operacional para se tornar um ativo de previsibilidade de receita”, afirma a Pacto.

Desafios econômicos e retenção de alunos

Aumentar preços de forma generalizada tornou-se uma prática arriscada no cenário brasileiro atual. Relatórios da Health & Fitness Association (HFA) indicam que o custo de uma mensalidade no país pode representar até 10% do salário mínimo, um peso significativamente maior do que o observado nos Estados Unidos. Com a inflação e os juros elevados, a gestão eficiente dos horários ociosos surge como uma alternativa mais segura para proteger o faturamento.

Além da ocupação: monitoramento de riscos

O uso de dados vai além do controle de horários. Ferramentas analíticas agora permitem identificar o risco de evasão de alunos, permitindo ações preventivas antes do cancelamento. Além disso, a tecnologia auxilia na gestão comercial, priorizando leads com maior probabilidade de conversão e otimizando a produtividade das equipes de vendas em diferentes unidades.

O setor de fitness no Brasil vive um momento de expansão, com o número de alunos alcançando 14,7 milhões e uma receita que saltou de US$ 0,99 bilhão para US$ 2,97 bilhões entre 2020 e 2024. Para os gestores, os próximos dois anos representam um período decisivo para a profissionalização, onde a leitura precisa dos dados será o principal diferencial competitivo para transformar a ociosidade em lucro.

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