Economia e Dinheiro

Eleições e investimentos: gestora ajusta carteira após 1º turno

O cenário eleitoral brasileiro passou por uma mudança de percepção após o primeiro turno das eleições, levando a TAG Investimentos a ajustar sua estratégia de alocação. Com R$ 18 bilhões sob gestão, a casa de multi family office reconfigurou sua carteira para capturar os possíveis ganhos de um rali nos ativos financeiros, apostando em uma política econômica mais alinhada aos interesses do mercado.

Impacto do resultado eleitoral nas expectativas

Embora a disputa presidencial ainda esteja em aberto, a gestora identificou que o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno alterou as probabilidades sobre o futuro econômico do país. A avaliação é que o rearranjo no Congresso, com a direita ganhando força frente ao centrão, pode facilitar a tramitação de pautas prioritárias.

Sobre as chances de uma política econômica funcional, a gestora destaca: “Com Lula, a probabilidade de o país entrar nos trilhos de uma política econômica funcional era bem baixa, algo perto de zero. Com o resultado das urnas, e com a confirmação de Flávio, a probabilidade de o Brasil adotar um caminho econômico saudável aumenta bem, digamos que perto dos 60%”.

Prioridades do mercado e riscos

A tese da TAG não se limita ao nome do próximo presidente, mas à capacidade de governabilidade. Três pilares guiam a expectativa da casa: o ajuste do fiscal, com a dívida bruta em patamares elevados (82,9% do PIB); a redução de impostos para viabilizar cortes na taxa Selic; e a reforma do Judiciário.

Entretanto, a gestora faz um alerta importante: favoritismo não garante entrega. Segundo a casa, “Flávio tem que provar ao mercado que o seu fiscalismo não é da boca para fora”. Além disso, a gestão do capital político nos primeiros meses de governo será determinante para evitar reações negativas do mercado.

“Quem desperdiçar os primeiros seis meses vai governar os outros 42 com a rua contra. Em se confirmando no segundo turno, os pontos a serem observados são a formação do novo governo e a ordem de prioridades no começo do mandato”, afirma a carta.

Mudanças na alocação de ativos

A estratégia atual da gestora foca em três frentes principais:

  • Tesouro IPCA+: A expectativa de melhora econômica deve reduzir as taxas desses papéis, gerando valorização na marcação a mercado.
  • Prefixados: Com a perspectiva de queda da Selic, esses títulos permitem travar taxas de remuneração atrativas antes de novas quedas nos juros futuros.
  • Ações brasileiras: A combinação de prêmios de risco menores e juros mais baixos favorece a valorização da bolsa local.

Por outro lado, a gestora reduziu o otimismo com o dólar frente ao real. Na visão da TAG, embora a moeda americana possa oscilar, existem outras oportunidades com uma relação entre risco e retorno superior no cenário atual, tornando a exposição ao câmbio menos atrativa no momento.

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