Marília Campos assume cadeira no senado após trajetória marcada pela gestão em contagem
Com quase quatro milhões de votos conquistados, a senadora eleita Marília Campos (PT) assume o cargo com o desafio de pautar temas cruciais para o desenvolvimento de Minas Gerais. Natural de Ouro Branco e com forte base política construída em Contagem, onde exerceu quatro mandatos como prefeita, a parlamentar inicia sua atuação em Brasília destacando a necessidade de pacificação e articulação política em um cenário nacional polarizado.
Prioridades para a dívida estadual e economia
Um dos pontos centrais abordados pela nova parlamentar diz respeito ao passivo financeiro do estado com a União, que já ultrapassa a marca de 187 bilhões de reais. Embora Minas Gerais tenha aderido ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), a senadora defende novas tratativas com o governo federal.
“É muito importante a gente recuperar o protagonismo do Estado de Minas Gerais para que a gente possa fazer isso nós precisamos pautar a questão da dívida com a União. Defendo que a gente tem que ter medidas adicionais ao Propag para que a gente possa discutir com o futuro presidente da República a redução do valor principal da dívida”, pontuou Marília.
A respeito dos caminhos para essa compensação financeira, ela acrescentou: “Minas não precisa de um perdão de dívida, precisa reivindicar compensação, o estado é responsável por 40% do superávit comercial, é exportador de grãos, de minério e, por isso, dá uma grande contribuição para o superávit da balança comercial”.
Segurança pública e combate ao crime organizado
No âmbito legislativo federal, o fortalecimento das forças de segurança figura entre as demandas urgentes. A parlamentar aponta que a “desarticulação das políticas de segurança pública” representa um obstáculo severo que exige atenção imediata do Congresso Nacional.
Atualmente, tramita na Casa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, medida que visa estabelecer maior integração entre estados, municípios e governo federal por meio do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). “Somente assim nós vamos garantir mais segurança pública nas nossas cidades, seja para garantir qualidade de vida, seja para garantir, por exemplo, tranquilidade para a nossa atividade econômica. Então, eu diria que essa PEC é fundamental”, declarou.
Endividamento familiar e o mercado de apostas
O impacto socioeconômico das plataformas de apostas online também entrou no radar de debates em Brasília, impulsionado pela Medida Provisória nº 1.394/2026. A senadora manifesta apoio à extinção dessas modalidades de jogos para proteger o orçamento doméstico dos brasileiros.
Sobre o assunto, ela afirmou que “já houve um esforço para tentar regulamentar, não conseguiram, o presidente propôs a extinção dos jogos e acho que esse debate deve voltar para que a gente devolva a tranquilidade para nossas famílias do país”. Em complemento, defendeu a continuidade de iniciativas federais voltadas ao alívio financeiro da população, a exemplo do programa Desenrola.
Infraestrutura regional e o diálogo político
Com as limitações impostas pela reforma tributária no que tange a incentivos fiscais, a melhoria da infraestrutura surge como ferramenta indispensável para atrair investimentos e impulsionar o escoamento de mercadorias no território mineiro.
A parlamentar relatou ter ouvido diversas queixas de empresários sobre a dificuldade de tráfego, citando especificamente o cenário da rodovia BR-262. “empresários me falaram que é mais fácil ir para São Paulo do que ir para a capital, seja pela situação das vias, seja pelo sistema aéreo, é mais fácil e mais barato, então precisamos melhorar a mobilidade, aérea, rodoviária e nas estradas rurais”, explicou.
Para viabilizar essas pautas sem confrontos partidários excessivos, Marília Campos reforça a necessidade de interlocução constante com os diferentes setores da sociedade.
“Eu não acho que a gente tem que transformar o Senado ou a Câmara dos Deputados num clima de guerra, num campo de batalha. Se a gente faz fizer isso, a gente não resolve problemas do nosso povo, não resolve o problema dos segmentos produtivos. Então a gente tem que pacificar o país”, concluiu a senadora, ressaltando ainda a importância de estreitar laços com a indústria, o agronegócio e a mineração.
