Lula e Flávio Bolsonaro protagonizam debate tenso na Band
O primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado pela Band na noite deste domingo (18), foi marcado por um clima de forte polarização. Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha defendido, logo no início, que o encontro fosse uma “aula de civilidade”, a dinâmica entre ele e o senador Flávio Bolsonaro (PL) rapidamente escalou para provocações diretas e acusações de cunho pessoal.
Segurança pública e corrupção em pauta
O bloco inicial do programa foi dominado por temas como segurança e corrupção. Flávio Bolsonaro apresentou como proposta central a criação de uma “guerra ao narcoterrorismo”, classificando facções como o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas e defendendo penas que podem chegar a 80 anos para lideranças criminosas. Em contrapartida, Lula prometeu a criação do Ministério da Segurança Pública e cobrou agilidade do Congresso na aprovação da PEC do setor.
A tensão subiu quando o senador questionou o presidente sobre denúncias envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha). O petista rebateu as críticas comparando a postura das famílias: “O meu filho abriu sua conta, seu telefone para ser investigado. Eu não sou pai que protege o filho como você foi protegido pelo seu pai.” Lula ainda ironizou os ataques do adversário sobre o voto de presos provisórios, disparando: “Eu quero que vote 100%, até o teu pai. […] Ele estaria votando em um cara melhor, porque ele te conhece e ele sabe que eu sou melhor do que você.”
Saúde, economia e a escala 6×1
No segundo bloco, o candidato do PL propôs a implementação de um prontuário eletrônico único no SUS, inspirado em hospitais de elite. Lula rebateu questionando se a medida seria um passo para a privatização do sistema e relembrou a condução da pandemia de Covid-19. Sobre a economia, o debate passou pela polêmica da escala de trabalho 6×1, com Lula criticando o histórico profissional do adversário e destacando a queda da inflação de alimentos de 56,17% para 13% em seu mandato.
Discussão internacional e reta final
O último bloco abordou a exploração de minerais críticos e terras raras. Lula acusou o grupo político de Flávio Bolsonaro de submissão aos EUA, enquanto o senador afirmou que o atual governo negligenciou relações internacionais. Encerrando o debate, Lula insistiu na transparência dos dados bancários: “Ao invés de ficar falando que é honesto, prove que é honesto”.
O nível de altercação foi tão elevado que, durante as considerações finais, a mediadora Adriana Araújo precisou intervir e elevar o tom de voz contra apoiadores na plateia para restabelecer a ordem no estúdio.
