Governo pressiona aliados de Flávio Bolsonaro por voto sobre fim da escala 6×1 no Senado
O Senado Federal iniciou nesta terça-feira (6) a fase de debates sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa encerrar a jornada de trabalho na escala 6×1. Aproveitando a alta popularidade do tema, parlamentares governistas pretendem utilizar a discussão para obrigar aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a declararem publicamente seus votos, já que o grupo tem se mostrado contrário à medida.
Estratégia do governo e cobrança pública
Logo após uma reunião com o comando do Senado, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, enfatizou a intenção da base governista de colocar os opositores contra a parede. “Eu quero ver a turma do Flávio Bolsonaro votar contra. Eu estou pagando pra ver, pra ver essa atitude que eles puderem tomar”, declarou o ministro.
Na mesma linha, o senador e ex-líder governista Jaques Wagner (PT-BA) cobrou um posicionamento claro do grupo ligado ao parlamentar do PL. “Eu estou vindo ao plenário porque, pelo que eu percebo, o pessoal da oposição, ou seja, os torcedores do candidato Flávio Bolsonaro, não estão dando presença na tentativa de inviabilizar o debate do fim do trabalho aos sábados”, afirmou. Wagner também acrescentou: “O candidato terá que mostrar a cara e dizer que é contra.”
Reação da oposição e obstrução no plenário
Enquanto o Palácio do Planalto enxerga na PEC uma importante ferramenta política, parlamentares da oposição classificam a iniciativa como uma “medida eleitoreira”. Para evitar que o texto avance, a estratégia adotada foi a de esvaziar a sessão e não registrar presença. A abertura ocorreu com 47 parlamentares, sem nenhum representante do PL inicialmente.
Contudo, o desgaste político de votar abertamente contra uma proposta de grande apelo popular preocupa a própria direita. Nos bastidores, novas negociações devem definir os próximos passos da bancada oposicionista, que prefere impulsionar uma alternativa liderada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN).
A proposta alternativa defendida por Flávio Bolsonaro
Questionado sobre o tema, Flávio Bolsonaro voltou a promover o texto alternativo defendido por seu grupo político, que propõe flexibilização nas negociações entre patrões e empregados, permitindo até mesmo a redução salarial proporcional.
“Eu tenho uma proposta infinitamente melhor que é dar liberdade para o trabalhador negociar sua carga horária. Vamos dar essa liberdade para que o trabalhador monte a sua jornada conforme as suas possibilidades”, argumentou.
Cronograma e desafios no Congresso
Para que uma PEC seja votada, são exigidas cinco sessões de discussão prévia. A expectativa da base é contar com o apoio do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), para acelerar os trâmites antes do segundo turno, embora o cenário na casa legislativa seja considerado complexo devido ao fortalecimento da direita após o recente pleito.
Mesmo diante das incertezas e do ceticismo de alguns parlamentares sobre a viabilidade de aprovação após o período eleitoral, a liderança do governo no Senado mantém o tom de perseverança. “Vamos tentar”, resumiu a líder governista Teresa Leitão (PT-PE).
