Empresária morta por pecuarista planejava comprar imóvel em MG
Com planos de adquirir uma residência em Uberlândia para viver ao lado do namorado, a jovem Priscila Lacerda Custodio, de 24 anos, teve a vida interrompida após ser baleada pelo pecuarista João Roberto Bolelli. Natural de Perdizes, no Triângulo Mineiro, a empresária viajou até a cidade de Rifaina, no interior de São Paulo, na noite de terça-feira (27), para entregar um veículo pertencente ao agressor, momento em que foi assassinada.
Projetos interrompidos e perfil empreendedor
Dedicada aos estudos de fotografia e marketing digital na modalidade a distância, Priscila atuava como produtora de vídeo e administrava a própria empresa. Em suas redes sociais, ela compartilhava frequentemente os bastidores da criação de conteúdos para comércios locais, eventos matrimoniais e diferentes clientes da região.
Desde junho, a jovem mantinha uma união com Samuel Ramos, de 26 anos, com quem dividia o mesmo teto em Perdizes havia cerca de um mês. O casal almejava consolidar a vida a dois comprando um imóvel próprio no Triângulo Mineiro. A aproximação entre os dois ocorreu por intermédio da mãe de Samuel, a psicóloga Fabyana Oliveira, que mantinha laços de amizade e profissionais com a vítima.
“A Priscila era uma pessoa maravilhosa, cheia de sonhos e projetos. Cheia de vida! Uma vida que foi ceifada por um homem malvado”, contou a psicóloga e amiga Fabyana Oliveira, destacando ainda a postura batalhadora da jovem.
A visão positiva sobre a postura de Priscila também era compartilhada por outras parceiras de trabalho, como a lojista Juliana Amaral, amiga próxima há três anos: “[Priscila] era linda, encantadora, educada ao extremo! Em três anos de amizade, nunca vi ela falar mal de ninguém”.
Histórico de perseguição e ameaças recorrentes
Antes de engatar o namoro formal, Priscila chegou a manter encontros casuais com Bolelli. A decisão da jovem de interromper definitivamente o vínculo despertou no pecuarista um comportamento obsessivo, marcado por vigilância constante e tentativas de intimidação. De acordo com relatos do namorado atual, o agressor chegou a contratar serviços de investigação privada para vigiar os passos da jovem.
“Ele perseguia ela, porque ele se apaixonou por ela. Ela tinha rompido esses encontros esporádicos e ele não aceitava de maneira alguma. […] Ele ameaçava ela, dizia que se ela não fosse ser dele, não seria de mais ninguém. Ele disse que ia dar um tiro na cabeça dela”, afirmou o namorado.
A escalada de violência física ocorreu dias antes do desfecho fatal. Na sexta-feira anterior ao crime (23), o pecuarista agrediu Priscila, deixando marcas visíveis testemunhadas por pessoas próximas. Ele também afirmava que a jovem não voltaria viva para Minas Gerais caso estivesse com outro parceiro.
O encontro em Rifaina e a dinâmica do feminicídio
Temendo pela própria segurança diante das intimidações, Priscila pediu que o irmão e uma amiga a acompanhassem na viagem até o estado vizinho para restituir uma caminhonete de propriedade do pecuarista. Ao receber o telefonema da irmã pedindo apoio, o rapaz já havia percebido o clima de tensão e o receio de represálias.
O encontro foi marcado às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), nas proximidades de uma fazenda em Rifaina. No acostamento, iniciou-se um bate-boca referente a um aparelho celular fornecido por Bolelli. Ao reiterar que não reataria qualquer contato e que desejava retornar para casa, Priscila foi alvejada a queima-roupa pelo homem, diante do próprio irmão.
Após disparar contra a vítima, o suspeito utilizou a caminhonete devolvida para fugir do local. A Justiça paulista expediu mandado de prisão preventiva contra o pecuarista, que acumula condenação anterior por desrespeitar medidas protetivas ligadas a outra ex-companheira. Bolelli é considerado foragido pela polícia, enquanto sua defesa técnica declarou que analisa os autos antes de prestar esclarecimentos formais.
