PF pede mais 90 dias para apurar financiamento de filme sobre Bolsonaro
A Polícia Federal (PF) formalizou um pedido ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando a extensão por mais 90 dias do prazo de um inquérito que investiga o financiamento do filme “Dark Horse”. A obra cinematográfica trata da trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e teria recebido aportes do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O requerimento foi protocolado na última quinta-feira (15), após o vencimento do prazo anterior no dia 10.
Contradições em depoimentos
Um dos pontos centrais que justificam a continuidade das apurações envolve o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, que colabora com a Justiça por meio de um acordo de delação premiada. A PF sustenta que há divergências entre o que foi dito pelo colaborador e a documentação apreendida.
Em seu depoimento, o empresário afirmou não ter conhecimento de que os US$ 12,3 milhões enviados a um fundo nos Estados Unidos seriam destinados ao filme. Contudo, os investigadores encontraram uma carta-acordo entregue pelo próprio delator que traz uma referência explícita à produção. Além disso, o documento estabelece um compromisso de US$ 24 milhões e menciona que “o tempo é essencial para a produção do filme”. Para a PF, o conteúdo do papel está em “aparente contradição” com o depoimento prestado.
Origem dos recursos e suspeitas de crimes
O inquérito, que apura crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa, evasão de divisas e organização criminosa, aponta que Vorcaro teria se comprometido a investir cerca de R$ 134 milhões na produção. De acordo com a PF, Freixo Júnior alegou que os valores vinham de vendas de ativos ou caixa próprio, mas a corporação identificou que R$ 12 milhões foram depositados na conta de sua empresa por uma companhia ligada ao circuito financeiro do dono do Banco Master, apenas um dia antes da primeira remessa internacional.
A produtora do longa, a Go Up Entertainment, também está sob análise. Foram detectadas inconsistências em contratos de câmbio: embora 20 operações tenham somado US$ 2,8 milhões sob a justificativa de empréstimos, o contrato apresentado previa apenas US$ 920 mil.
Próximos passos da investigação
Para concluir o inquérito, a PF ainda precisa realizar perícias contábeis, processar dados de Fabiano Zettel e Freixo, além de aguardar respostas de cooperação jurídica internacional. A corporação planeja ouvir novos depoimentos, incluindo o de Zettel, cunhado de Vorcaro, que, segundo o delator, foi quem solicitou as transferências.
O caso também envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL). Mensagens identificadas no curso da investigação apontam que o parlamentar atuou como interlocutor direto de Vorcaro nas tratativas do financiamento, realizando cobranças sobre pagamentos e acompanhando as filmagens. O senador nega qualquer prática ilícita, reiterando que os valores investidos na produção cinematográfica possuem origem privada.
