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PF aponta que presidente do TCE-MT sacou R$ 15 milhões em espécie

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, é alvo da Operação Tomada de Conta, deflagrada pela Polícia Federal. Segundo as investigações, o magistrado teria sacado R$ 15,6 milhões em dinheiro vivo na boca do caixa em um período de apenas dez meses, entre 1.º de janeiro e 22 de outubro de 2025. O montante foi retirado por meio de 150 operações distintas, realizadas tanto em guichês bancários quanto em terminais de autoatendimento.

Estrutura de corrupção e lavagem de dinheiro

A Polícia Federal aponta que Sérgio Ricardo liderava um esquema sofisticado voltado à conversão de recursos públicos em espécie. A suspeita é de que o conselheiro utilizasse seu cargo para pressionar fornecedores e empresas contratadas pelo TCE, bloqueando pagamentos sob o pretexto de cortes orçamentários para, na sequência, exigir o pagamento de propinas milionárias.

O Ministério Público Federal (MPF), em parecer enviado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), destacou que os crimes investigados possuem natureza contínua. Segundo o órgão, os delitos ‘apresentam natureza permanente, especialmente os crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro’ e a estrutura criminosa permanece ativa. A Procuradoria ressalta que os fatos investigados são contemporâneos, com registros de movimentações suspeitas e atos administrativos relevantes do presidente do TCE-MT ocorrendo ainda em 2026.

O papel do comando no TCE-MT

De acordo com os investigadores, o conselheiro exercia controle absoluto sobre a máquina pública para viabilizar os desvios. A PF afirma que ‘Sérgio Ricardo de Almeida, na condição de presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, ocupa posição de comando da estrutura criminosa investigada’. O relatório aponta que o esquema contava com a participação de servidores, incluindo a chefe de gabinete do presidente, Roseli Loss, que operacionalizava as retiradas de numerário em uma agência bancária localizada dentro da sede do próprio Tribunal.

Modus operandi das transações

A investigação identificou que, embora parte das saídas de recursos ocorresse de forma oficial, os valores eram pulverizados para ocultar sua origem. Em muitos casos, os saques eram realizados em quantias logo abaixo dos limites que acionariam alertas automáticos do COAF. A PF reforça que ‘além disso, é o responsável por dirigir os atos de gestão do Tribunal, autorizar contratos, expedir portarias, nomear ocupantes de cargos estratégicos e controlar setores envolvidos na emissão dos pagamentos investigados, de maneira que a estrutura, em tese, criminosa, depende diretamente de seu poder de comando’.

O conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida foi preso por ordem do ministro Og Fernandes, do STJ. Em nota, a Corte de Contas informou que “seguirá atuando com responsabilidade e serenidade, em observância à legalidade e ao cumprimento de sua missão constitucional de controle externo”. A defesa do conselheiro não respondeu aos pedidos de manifestação até o fechamento desta reportagem.

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