TSE alerta campanhas de Lula e Flávio sobre guerra digital
Em uma reunião realizada nesta terça-feira (13), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) convocou representantes das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) para emitir um alerta severo. O órgão busca conter o crescimento exponencial de disputas judiciais que envolvem o uso das redes sociais na reta final da disputa pelo segundo turno.
O aumento da judicialização eleitoral
O cenário atual é marcado por acusações mútuas de disseminação de fake news entre os dois campos políticos. O embate tem levado a um volume recorde de pedidos de censura, colocando empresas como Meta e Google no centro das denúncias. Segundo dados oficiais, foram registrados 162 recursos judiciais no TSE logo após o primeiro turno de 4 de outubro, um número que representa mais do que o triplo do contabilizado no mesmo intervalo das eleições de 2022.
De acordo com nota enviada à AFP, o TSE advertiu que a “judicialização eleitoral” representa um “risco de decisões conflitantes e de restrição ao debate entre candidatos”. O senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), chega a este momento como favorito nas pesquisas, após superar Lula por uma margem apertada no primeiro turno.
Polêmicas envolvendo plataformas digitais
Um dos pontos de maior tensão recente envolve o canal de WhatsApp “Exército de Lula”, idealizado pelo deputado André Janones (Rede). Com mais de 4 milhões de seguidores, o espaço foi alvo de uma denúncia da campanha de Bolsonaro, que alegou a propagação de desinformação, incluindo a falsa tese de que o candidato cortaria benefícios sociais — algo que a equipe de Lula nega veementemente. Em meio ao clima de disputa, o presidente comentou o caso na segunda-feira: “Vou criar a Marinha, a Aeronáutica do Lula no WhatsApp”. Nesta terça-feira, o TSE validou o funcionamento do canal.
Outras frentes de conflito tecnológico
O Partido dos Trabalhadores (PT) também apresentou queixas contra a Meta, alegando uma suposta “interferência” da empresa por meio de restrições a conteúdos no Instagram. A companhia negou as acusações, classificando-as como “falsas” e justificando que o ocorrido foi fruto de “problemas técnicos” de alcance global.
Paralelamente, a campanha de Lula acionou a justiça contra o Google, argumentando que a ferramenta de inteligência artificial Gemini teria atribuído ao candidato declarações que ele nunca proferiu. O tribunal segue monitorando essas interações para evitar que a guerra digital comprometa a integridade do processo eleitoral de 25 de outubro.
