TSE ordena que Flávio Bolsonaro apague vídeo falso sobre ato pró-Lula
O ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ordenou que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) exclua, em um prazo de 24 horas, uma publicação contendo uma falsa acusação. O material alegava, erroneamente, que um participante de um ato em defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado na Avenida Paulista no último domingo (11), estaria consumindo cocaína.
Alcance da decisão judicial
A determinação, tornada pública nesta segunda-feira (12), estende-se a outros nomes do espectro político. Além de Flávio Bolsonaro, o magistrado impôs a remoção do conteúdo ao senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC), ao influenciador Pablo Marçal e ao deputado federal eleito Rony Gabriel (Podemos-RS). Até o momento, o candidato do PL não se posicionou oficialmente sobre a ordem do tribunal.
Origem do conteúdo falso
A ação foi movida pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que acionou a Corte eleitoral para solicitar a retirada do vídeo das redes sociais. Segundo as investigações, o conteúdo compartilhado pelos réus já circulava na plataforma X desde o dia 10 de outubro, tendo sido publicado originalmente por um usuário chileno antes mesmo da manifestação ocorrer.
Análise sobre a manipulação de fatos
Ao fundamentar sua decisão, o ministro Bellizze destacou o perigo da disseminação de informações fora de contexto no período eleitoral. O magistrado pontuou que pode ter ocorrido “grave manipulação por descontextualização”.
O ministro detalhou os riscos dessa prática para o processo democrático:
“Essa forma de apresentação falsa e manipulada dos fatos, mesclando acontecimentos reais e situações que de fato não ocorreram é extremamente deletéria e pode caracterizar, como no caso dos autos, grave manipulação por descontextualização: a reutilização de imagem preexistente, associada a evento posterior, para conferir aparência de prova a uma afirmação sobre esse evento. A gravidade é acentuada, em tese, quando a imagem é combinada com afirmações generalizantes sobre consumo de drogas e com apelo eleitoral explícito”, afirmou.
O episódio reforça a postura rígida do TSE no combate à propagação de desinformação durante a campanha, especialmente quando conteúdos antigos são resgatados e editados para atribuir falsas condutas a opositores políticos.
