Áudio revela que advogado alertou dono do Banco Master sobre articulação da mídia
Conversas e um arquivo de voz extraídos do aparelho celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, revelam que o advogado Walfrido Warde fez um alerta ao banqueiro em março de 2025. O recado tratava de uma suposta investida da imprensa para minar o respaldo político que o empresário mantinha junto ao governo federal e ao Partido dos Trabalhadores. O material veio a público por meio de uma reportagem publicada pela revista Veja.
O contexto do alerta e a venda ao BRB
De acordo com as informações divulgadas, o áudio foi enviado em 30 de março daquele ano, exatos dois dias após o Banco de Brasília oficializar a aquisição de 58% do capital social do Master. Como a transação precisava do aval do Banco Central, o empresário apostava em sua força política para destravar o negócio. No registro de voz, o profissional do direito afirmou: “A Globo tá querendo, basicamente, quebrar o teu apoio interno dentro do PT. Entendeu? É isso que eles querem. Eles querem tirar o apoio do presidente. Já entenderam que o teu apoio vem do presidente. Então eles querem tirar o teu apoio”.
Para fundamentar sua análise, Warde anexou a imagem de uma matéria jornalística que abordava serviços de consultoria executados por Guido Mantega para o banqueiro, além da reunião intermediada pelo ex-ministro no Palácio do Planalto no final de 2024.
Bastidores e o trânsito no Palácio do Planalto
Os registros apontam que, entre abril de 2023 e julho de 2025, o advogado enviou mais de vinte mensagens citando o chefe do Executivo nacional. As evidências obtidas pela Polícia Federal demonstram que ele alegava trânsito livre na sede do governo e proximidade com auxiliares diretos, a exemplo de Marco Aurélio Santana, o Marcola.
Mensagens e tratativas políticas
Dentre os textos atribuídos ao advogado, destacam-se frases como “Vou conseguir uma audiência tua com o PR”, “Saí da sala do presidente” e “Ele me perguntou do teu e-mail”. Em outras ocasiões, ele assegurava que conversaria com o mandatário, que estivera reunido longamente com ele e que o encontro agendado com o banqueiro estava totalmente certo, embora em certo momento tenha avisado que “o presidente está um pouco impaciente hoje”.
Apesar das articulações para blindar a instituição e viabilizar a operação com o BRB — o que incluiu debates sobre se o Planalto apoiava ou não o negócio e menções a figuras como Edinho Silva —, as investidas não evitaram que o Banco Central decretasse a liquidação da instituição financeira meses depois.
