Triângulo Mineiro

Amiga revela que pecuarista forçou encontro antes de matar jovem

O assassinato da empresária Priscila Lacerda Custodio, de 24 anos, ocorrido na última terça-feira (27) em Rifaina (SP), foi precedido por uma insistência do suspeito, o pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos. Segundo Pollyanna Botelho, amiga que presenciou o crime, a jovem viajou até a cidade paulista apenas para devolver uma caminhonete que estava sob sua posse devido a ameaças anteriores.

A dinâmica do crime e as ameaças

Priscila, natural de Perdizes (MG), mantinha um relacionamento casual com o pecuarista, que não aceitava o rompimento. Quatro dias antes do homicídio, a vítima já havia relatado ter sofrido agressões físicas. De acordo com o depoimento da amiga, a jovem tentou evitar o encontro presencial, sugerindo que o homem buscasse o veículo na cidade, mas ele não cedeu.

“Ele mandou mensagem falando que não tinha como ir na cidade buscar [a caminhonete], porque ele não estava com nenhum automóvel, ele estava a pé. Ele insistiu com ela para que ela fosse até lá”, disse ela.

Ao chegar às margens da Rodovia Cândido Portinari, acompanhada pelo irmão e por Pollyanna, Priscila desembarcou para conversar com o suspeito. Após uma discussão sobre um celular, o homem sacou uma arma e disparou contra a jovem, fugindo em seguida. A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva do pecuarista, que permanece sendo procurado pelas autoridades.

Relacionamento marcado por controle e medo

Pollyanna descreveu o comportamento do suspeito como possessivo. Segundo ela, a vítima tentava encerrar o vínculo há meses, especialmente após iniciar um namoro com Samuel Ramos. A amiga detalhou que o pecuarista utilizava chantagem emocional para manter Priscila sob seu controle.

“Ele queria ter posse dela. Ele queria ter ela só pra ele e não aceitava de forma nenhuma que ela interrompesse qualquer vínculo que existia”, contou a amiga.

Ainda segundo o relato, o homem recorria a manipulações psicológicas frequentes: “Ela continuou porque ele estava fazendo chantagem emocional com ela. ‘Se você não vier me ver, eu vou acabar morrendo, porque eu estou muito doente, você tem que vir me ver. Eu dou para você o que você quiser, mas vem, por favor, cuidar de mim’. Ela não estava indo [até Rifaina] porque ela estava com ele, até porque eles não estavam juntos, nunca estiveram de verdade. Mas, ele fazia essa chantagem emocional para que ela pudesse ir ver ele.”

Planos interrompidos e perseguição

Priscila, que atuava com marketing digital e fotografia, tinha planos de se mudar para Uberlândia com o atual namorado. Samuel Ramos relatou que o pecuarista chegou a contratar um detetive para monitorar os passos da jovem. O namorado afirmou que o suspeito frequentemente proferia ameaças graves: “Ele perseguia ela, porque ele se apaixonou por ela. Ela tinha rompido esses encontros esporádicos e ele não aceitava de forma nenhuma. […] Ele ameaçava ela, dizia que se ela não fosse ser dele, não seria de mais ninguém. Ele disse que ia dar um tiro na cabeça dela”.

A família e os amigos de Priscila seguem em busca de justiça, enquanto a defesa do suspeito informou que analisa o caso, mas ainda não estabeleceu contato com o foragido.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *