Minas Gerais

Minas Gerais lidera ranking de áreas montanhosas no Brasil

O estado de Minas Gerais detém a maior extensão de montanhas do território brasileiro, respondendo por 37,3% de toda a área com esse tipo de relevo no país. A revelação faz parte do novo mapa do relevo brasileiro divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Novas categorias no relevo nacional

Pela primeira vez na história da cartografia oficial do país, as montanhas aparecem como uma categoria independente. Em levantamentos anteriores, essas formações geográficas ficavam agrupadas junto a outras estruturas, a exemplo dos planaltos.

Após o território mineiro, a lista com as maiores extensões montanhosas conta com Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. Entre os locais mapeados em solo mineiro estão a Serra do Curral, em Belo Horizonte, trechos da cadeia do Espinhaço e as serras do Caraça, do Gandarela e da Moeda.

Metodologia e proporções territoriais

O projeto durou quatro anos e envolveu aproximadamente 70 pesquisadores ligados a universidades e instituições de geologia, com o propósito de unificar os critérios de classificação do relevo brasileiro.

Mesmo liderando o ranking nacional em proporção de área, as montanhas cobrem 10,2% do território mineiro. Vale destacar que esse índice difere dos 37,3%, que indicam a fatia que Minas possui em relação ao montante total de áreas montanhosas em âmbito nacional. O restante do estado é composto predominantemente por planaltos, que atingem 58,1%, enquanto as superfícies rebaixadas somam 29%.

Para serem enquadradas na nova categoria, as formações precisam exibir um desnível mínimo de 300 metros frente ao terreno adjacente, além de encostas íngremes e topos angulosos.

Padronização científica

Conforme o geógrafo Gabriel Bias Fortes, chefe da Seção de Base Territorial do IBGE em Minas Gerais, a existência de montanhas no Brasil já era reconhecida por pesquisadores. Faltava, no entanto, um sistema construído de forma colaborativa e consensual para padronizar essa classificação.

“Se a gente for pensar na estrutura de relevo, ela sempre esteve lá, ela continua da mesma forma. O que a gente padronizou foi a classificação”, explica.

O documento cartográfico foi elaborado na escala de 1 para 1 milhão — onde um centímetro equivale a dez quilômetros reais — e servirá de embasamento para livros didáticos, investigações acadêmicas e atuações de órgãos ambientais.

Aplicações práticas no combate a incêndios

Na prática, unidades de conservação como o Parque Estadual da Serra do Rola-Moça planejam empregar os dados para otimizar o monitoramento de áreas elevadas e o combate a chamas.

O cruzamento dos dados topográficos com imagens de câmeras de segurança facilitará a localização de trechos complexos durante focos de incêndio, auxiliando na decisão sobre o envio de veículos com tração integral ou aeronaves de apoio, além de orientar o desenho de trilhas mais seguras para visitantes.

“Cruzando com o nosso sistema de câmera de videomonitoramento, a gente tem a real situação daquele relevo daqui da sala, sem precisar de ir lá”, afirma Collet.

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