Triângulo Mineiro

Uberlândia e Patos de Minas concentram registros de assédio eleitoral em mg

As cidades de Uberlândia e Patos de Minas responderam por quase 25% de todas as notificações de assédio eleitoral registradas em território mineiro durante o primeiro turno das Eleições 2026. Conforme balanço divulgado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), o estado acumula 110 casos, sendo 27 deles concentrados nesses dois municípios do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.

Panorama estadual e nacional

No cenário de todo o estado, a unidade do MPT situada em Uberlândia contabilizou 20 queixas, ficando atrás apenas de Belo Horizonte, que registrou 50 ocorrências. O município de Patos de Minas somou sete denúncias no mesmo período.

Em âmbito nacional, o órgão apurou 991 notificações relacionadas à coerção de trabalhadores até o primeiro turno. O estado de São Paulo encabeça a listagem com 158 casos, seguido de perto por Minas Gerais, com 110, e pelo Rio de Janeiro, que contabilizou 93 registros.

O que configura assédio eleitoral

A prática é caracterizada quando a autoridade do empregador é empregada para coagir, constranger ou direcionar a preferência política dos funcionários. Tal conduta fere diretamente a liberdade de voto e de consciência, preceitos assegurados pela Constituição Federal.

Dentre as situações que configuram a irregularidade destacam-se ameaças de dispensa por escolha de candidato diverso, promessas de reajustes salariais ou vantagens financeiras em troca de sufrágio, obrigatoriedade de participação em atos políticos e distribuição de propaganda.

Também compõem a lista de abusos a exigência de vestimentas ou adereços com símbolos de campanha, inquirição sobre a intenção de voto do subordinado, constrangimentos em reuniões corporativas e atos de retaliação contra empregados que declarem posições políticas contrárias às da chefia.

Medidas judiciais em Minas Gerais

Como parte das atuações no primeiro turno, o MPT-MG ajuizou uma ação civil pública contra uma fábrica de calçados localizada em Bom Despacho, na região Centro-Oeste. A investigação teve início após a notificação de um evento político realizado nas dependências da companhia, contando com a presença de candidatos e de uma autoridade pública local.

O expediente chegou ao conhecimento das autoridades no final de setembro, motivando a intervenção na Justiça do Trabalho para coibir reincidências e resguardar a autonomia dos colaboradores.

Canais de denúncia para o segundo turno

O MPT confirmou que seguirá recebendo e apurando relatos de coação laboral ao longo da etapa que antecede o segundo turno do pleito. Os registros podem ser formalizados digitalmente por meio do portal oficial da instituição.

Para otimizar as investigações, orienta-se o envio do máximo de dados possíveis, tais como razão social da empresa, identificação dos envolvidos, endereço, data e relato pormenorizado do ocorrido. O anexo de provas materiais, a exemplo de mensagens eletrônicas, arquivos de áudio, fotografias e gravações em vídeo, também é recomendado.

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